OPará ainda encontra-se distante de atingir a meta de vacinar 95% das crianças contra o sarampo e poliomielite, segundo apontou o Ministério da Saúde (MS) na última terça (16). A campanha nacional de vacinação, iniciada dia 8 de novembro, foi prorrogada mais uma vez até dia 31 de dezembro. Pais vem encontrando dificuldades para imunizar os filhos nos postos de saúde dos bairros: ou falta vacina ou falta senha para atendimento.
A meta do Estado é imunizar 639.783 crianças paraenses contra polio (paralisia infantil) e 547.331 contra o sarampo. Do início da campanha até o momento, 81% estão imunes à polio e apenas 67% imunes contra o sarampo, dizem dados divulgados pelo MS.
O Pará recebeu 1,6 milhões de doses de vacinas. Ainda assim, postos de saúde da capital estão distribuindo senhas para as mães, o que limita o número de atendimentos por dia. Em outros postos, nem vacina há. Foi o que aconteceu com a dona de casa Carolina Nunes que é moradora do bairro da Sacramenta. Ela levou o filho de 8 meses à unidade de saúde do bairro, mas lá foi informada que não havia vacina. Aconselhada a se deslocar à unidade de saúde da Pedreira, no entanto, ainda às 10h20 da sexta (19), as senhas já haviam acabado. “Na Sacramenta já não tem vacina há muito tempo. Sempre dizem que vai ter, mas quando a gente volta, não tem. “Agora vou para casa para voltar depois. É o jeito”.
Na unidade de saúde do Marco, enfermeiros encarregados de fazer vacinações finalizaram o expediente mais cedo, às 11h30, por festejos natalinos, o que pegou mães de surpresa. “Disseram que tem uma missa de encerramento e por isso terminou o expediente mais cedo. Pediram para eu voltar às 13h para pegar senha”, reclamou a vendedora de cosméticos Carla Moraes, do Telégrafo.
ALCANCE REDUZIDO
Sobre a distribuição de senhas aos pais, a Sespa disse em nota que “a Unidade da Pedreira só tem capacidade de vacinar 60 crianças por dia, em função da implantação de sistema informatizado pelo Ministério da Saúde, que exige cadastro nominal de todos os vacinados”.
O DIÁRIO também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) para saber porque a Unidade de Saúde da Sacramenta estava com a falta de vacinas - já que a unidade as recebeu, segundo a Sespa. Até o fechamento da edição a Sesma não enviou respostas.
De acordo com o médico infectologista e imunoalergologista Newton Bellesi, diretor da Clínica de Medicina Preventiva do Pará (Climep), o sarampo e a poliomielite estão controladas no Brasil, mas não em todo mundo. Quando crianças não são protegidas pela vacina, os riscos de retomada dos males no país crescem. “A polio foi erradicada em 1990 e o sarampo encontra-se controlado desde 2000. A polio está restrita a poucos países subdesenvolvidos ou em guerra na Ásia e África. Já o sarampo está mais difundido, na maioria dos países do mundo. Os países das Américas são os que melhor controlaram o mal, pela vacinação. A resistência, descuido, falsas contraindicações, princípios filosóficos e religiosos e a sensação de segurança de que o mal só acontece com outros ainda faz que doenças ocorram no Brasil”, diz o especialista. Bellesi acha que falta melhor divulgação da vacinação no Pará. “Não houve boa campanha. As autoridades de saúde não têm oferecido o suporte necessário”, avaliou. No ranking da luta contra o sarampo, o Pará só não foi pior que Amazonas (57,4% de cobertura vacinal), Acre (59,2%), Amapá (60,4%), Distrito Federal (64%), Piauí (65,6%), Roraima (66,5%) e Bahia (66,8%).
(Diário do Pará)
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