<p style=\"text-align: justify;\">Ao aprovar, na quinta-feira, o projeto do Executivo que instituiu a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Exploração e Aproveitamento de Recursos Hídricos (TFRH), a Assembleia Legislativa ignorou o sentimento de repulsa que a iniciativa despertou em diferentes setores da sociedade. Foi o caso, por exemplo, de um parecer emitido pelo Conselho Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil. Assinado pelo presidente da OAB/Pará, Jarbas Vasconcelos, e endereçado ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Márcio Miranda, o documento pugna pela declaração da ilegalidade e da inconstitucionalidade do projeto encaminhado pelo governador Simão Jatene. No entendimento da Ordem dos Advogados, a proposta do Executivo investe contra a legislação federal, fere dispositivos da Constituição de 1988 e exibe aspectos indevidos pelo seu impacto sobre a economia popular.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">O advogado e ex-deputado Zé Carlos Lima observou, ao comentar esta semana a posição da OAB, que a mesma teve por base pareceres emitidos isoladamente (e depois unificados) por duas comissões da Ordem – a de Direito Minerário e a de Meio Ambiente, esta última presidida por ele. Segundo Zé Carlos Lima, além de toda a controvérsia gerada em torno de sua legalidade, o projeto encaminhado por Simão Jatene apresenta, sob a ótica da economia popular e da justiça social, alguns aspectos extremamente preocupantes.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">A começar, diz o presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB, pela distorção de conceitos praticada pelo Governo do Pará, que não tratou a questão da cobrança pelo uso comercial da água como sendo de preço público, contrariamente ao que fez a União Federal, mas dando à matéria um tratamento meramente tributário. Para isso, conforme frisou Zé Carlos Lima, o Estado optou por atropelar todo o rito legal, adotando uma postura cuja afoiteza só pode ser explicada unicamente pelo interesse em fortalecer o seu fluxo de caixa e aumentar a arrecadação.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Entre os setores penalizados, o presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB cita explicitamente a indústria de mineração. A medida, segundo ele, poderá ter repercussões desfavoráveis sobre a economia paraense, visto que a cobrança é instituída justamente num momento em que, coincidentemente, os preços das commodities minerais estão em forte queda no mercado mundial. Mas a questão dos minérios, segundo Zé Carlos, nem chega a ser o maior problema, já que as grandes indústrias do setor dispõem de meios adequados para se defender.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Muito mais preocupantes, conforme acentuou, é a cobrança estabelecida também sobre o uso comercial da água para a geração de energia e para o transporte aquaviário. Em relação à energia, por exemplo, destacou que o Pará já convive hoje com uma das tarifas mais altas do país. Aprovada a cobrança, quando vier o próximo reajuste, previsto para o primeiro trimestre de 2015, ele vai certamente embutir a elevação de custos decorrente da taxa estadual de recursos hídricos. Já no caso do transporte aquaviário, destacou Zé Carlos Lima que, embora a atividade utilize efetivamente a água com fins comerciais, é inegável também que ela cumpre um importante papel social, ao criar condições para os deslocamentos de pessoas e cargas onde não existem outros meios de transporte ou eles são comparativamente mais caros. Além disso – enfatizou –, a exemplo do que vai acontecer com a energia elétrica, a cobrança da taxa vai ser lançada na planilha de custos das empresas de navegação, que tratarão de repassar para os usuários de seus serviços os preços devidamente alterados.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">(Diário do Pará)</p>
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