Desocupada para dar espaço a um conjunto residencial com 400 casas, a área do antigo curtume Santo Antônio, em Canudos, abriga apenas um amontoado de lixo e mato. Iniciada, ainda quando as 225 famílias foram remanejadas do local há sete anos, o único vestígio da obra prometida são algumas paredes que sequer possuem cobertura.
Paulo de Tarso foi um dos moradores que saiu de casa para aguardar pela entrega das novas moradias, prometidas para serem entregues dentro do prazo de três anos. Passados sete anos do remanejamento, porém, o presidente da Associação dos Moradores do Curtume de Santo Antônio ainda é obrigado a morar de aluguel. “O Governo do Estado tirou a gente daqui e até agora não recebemos nossas casas”, reclama. “Temos um documento da Casa Civil que diz que em dezembro desse ano iriam entregar os 400 apartamentos e até agora a obra nem recomeçou”.
O documento guardado por Paulo e que oficializa o novo prazo de entrega dos apartamentos tem data de junho de 2013, porém, segundo os moradores, o problema teria iniciado bem antes disso.
A população denuncia que as obras foram paralisadas desde que a atual administração do governo do Estado assumiu. “O Jatene (Simão Jatene, governador) não tem nenhum projeto social, não tá fazendo nada pelo governo”, acredita Paulo.
Mobilizados e com a perspectiva de procurar o Ministério Público Estadual para acompanhar o processo, os moradores ainda precisam conviver com o lixão que vem tomando conta do terreno que deveria abrigar suas casas. Enquanto os moradores reunidos debatiam os próximos passos na manhã do último sábado, outros moradores do entorno chegavam despejando lixo. “Já virou lixão isso aqui. É o tempo todo gente despejando tudo aqui”, denuncia Paulo de Tarso. “Já tá vindo até gente de fora pra ocupar esses primeiros pisos que fizeram no início e depois deixaram abandonado”.
AUXÍLIO
Como se não bastasse a interrupção das obras, os moradores remanejados ainda precisam lidar com problemas relacionados ao auxílio moradia que recebem desde que foram retirados de suas casas. A vendedora Maria da Conceição precisou mudar de município para conseguir encontrar uma casa que fosse possível alugar com o auxílio recebido. “Eu já tô morando em Benevides porque aqui não tem mais casa pra alugar nesse preço”, afirma, ao informar que também sofre com atrasos no pagamento do benefício. “O meu aluguel vence todo dia 10, mas tem mês que o auxílio moradia cai só dia 15, outro mês cai dia 20”.
Os moradores recebem os mesmos R$375 de auxílio há vários anos para bancar o aluguel até que o projeto seja concluído. “Em sete anos, só teve um reajuste do auxílio e os preços dos aluguéis só aumenta”, reclama Paulo de Tarso.
A Assessoria da Cohab afirmou que o órgão reunirá com as lideranças das famílias, quando informará sobre o andamento da aprovação do projeto, que hoje se encontra em análise pela Caixa Econômica. A Cohab diz que aguarda essa análise do projeto para que dê andamento às etapas seguintes.
Quanto ao auxílio aluguel, diz que é reajustado anualmente com base no IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado).
(Diário do Pará)
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