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Fecomércio se preocupa com conforto ao cliente

<p>Mesmo depois da promessa de que a proibi&ccedil;&atilde;o de extens&atilde;o dos hor&aacute;rios de funcionamento dos shoppings seria derrubada judicialmente, os representantes das associa&ccedil;&otilde;es dos shoppings de Bel&eacute;m tiveram que man

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<p>Mesmo depois da promessa de que a proibi&ccedil;&atilde;o de extens&atilde;o dos hor&aacute;rios de funcionamento dos shoppings seria derrubada judicialmente, os representantes das associa&ccedil;&otilde;es dos shoppings de Bel&eacute;m tiveram que manter o impedimento do chamado &ldquo;virad&atilde;o&rdquo;, que ocorreria das 22 horas do dia 23 at&eacute; as 6h do dia 24, em fun&ccedil;&atilde;o do Natal. O impedimento ocorreu na &uacute;ltima sexta (19), em um acordo coletivo firmado entre o Sindicato dos Trabalhadores no Com&eacute;rcio, lojista de Bel&eacute;m e o Sindicato dos Lojistas do Com&eacute;rcio de Bel&eacute;m.</p>
<p>Para o presidente da Federa&ccedil;&atilde;o do Com&eacute;rcio do Estado do Par&aacute; (Fecom&eacute;rcio-PA) Sebasti&atilde;o de Oliveira Campos, dois fatores pesaram contra o evento: transporte e seguran&ccedil;a.</p>
<p>E o sindicato patronal n&atilde;o conseguiu oferecer as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho exigidas pelos funcion&aacute;rios em assembleia, antes da assinatura do acordo. A decis&atilde;o afeta o volume de vendas do setor com&eacute;rcio no Estado do Par&aacute;, que neste ano apresentou m&eacute;dia superior do que a nacional, segundo dados do IBGE. Em doze meses, o volume de vendas apresentou uma varia&ccedil;&atilde;o de 4,4%, acima da nacional, que foi de 3,6%.</p>
<p>De janeiro a setembro deste ano foi gerado um saldo de 603.096 empregos formais do com&eacute;rcio e servi&ccedil;os nos estados, entre admiss&otilde;es e demiss&otilde;es. Neste mesmo setor, o Par&aacute; gerou um saldo de 8.709, sendo 154.935 admiss&otilde;es e 146.226 demiss&otilde;es, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE).</p>
<p>Sebasti&atilde;o de Oliveira Campos, 64, &eacute; o atual presidente da Fecom&eacute;rcio-PA depois de atuar quatro anos no Sindicato do Com&eacute;rcio de Materiais de Constru&ccedil;&atilde;o (Sindmaco). Propriet&aacute;rio da Comercial Campos Ltda, &eacute; formado em Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas pela Uni Castelo Branco (SP) e &eacute; natural de Fortaleza (CE). Campos vive h&aacute; 37 anos no Par&aacute;, onde iniciou vida empresarial no com&eacute;rcio de materiais de constru&ccedil;&atilde;o. Confira a entrevista cedida aos rep&oacute;rteres Wal Sarges e Frank Siqueira:<br /> <br /> P: Como se deu a decis&atilde;o que proibiu o prolongamento dos hor&aacute;rios do shopping &agrave; v&eacute;spera de Natal?<br /> R: &Eacute; semelhante aos acordos de anos anteriores. Tem gente que diz que d&aacute; at&eacute; para um juiz abrir a noite toda, porque tem que pagar hora extra. Mas quando chegou agora, o pessoal do Sindicato dos Trabalhadores disse que n&atilde;o iria fechar o acordo, porque tem que oferecer transporte, seguran&ccedil;a... O pessoal fica no meio da rua, de madrugada... O presidente do Sindicato dos Trabalhadores convocou a assembleia, comentou com a assembleia que n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es de fazer o que foi pedido. Aquilo criou um choque muito grande. E ele teve que assinar o acordo sem a virada do Natal. Quando o pessoal recebeu essa notifica&ccedil;&atilde;o, uma c&oacute;pia desse acordo que n&atilde;o estava a virada e come&ccedil;ou o reboli&ccedil;o.<br /> <br /> P: Qual o posicionamento da Fecom&eacute;rcio nesse impasse entre os sindicatos patronal e trabalhadores?&nbsp;<br /> R: O sistema sindical &eacute; assim no com&eacute;rcio: os comerciantes criam os sindicatos, estes criam a federa&ccedil;&atilde;o e esta cria as confedera&ccedil;&otilde;es. Ent&atilde;o, eles s&atilde;o livres, aut&ocirc;nomos para negociar. Pelo organograma de cima para baixo da federa&ccedil;&atilde;o, a impress&atilde;o que d&aacute; &eacute; que a ela possui alguma inger&ecirc;ncia sobre o sindicato de uma maneira geral. N&atilde;o s&oacute; a sociedade, mas as pr&oacute;prias pessoas que convivem nas associa&ccedil;&otilde;es &agrave;s vezes t&ecirc;m uma ideia diferente, como se a federa&ccedil;&atilde;o pudesse intervir. Mas pode ajudar a conciliar, ser uma mediadora. Quando n&oacute;s soubemos do acordo assinado que as lojas n&atilde;o abririam, senti vontade de participar para saber o que podia ser feito. Tentar ser anfitri&atilde;o de uma reuni&atilde;o. S&oacute; que quando eu convidei o presidente do Sindicato dos Trabalhadores para se reunir, convidei primeiro o dos patr&otilde;es. E eles disseram: &lsquo;N&atilde;o vou participar, porque j&aacute; assinei o acordo, n&atilde;o d&aacute; mais tempo. Posso me desentender... &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil... n&atilde;o vou participar. Pode receber o pessoal, mas n&atilde;o vou participar&rsquo;. Eu tamb&eacute;m n&atilde;o tive como convidar o presidente do Sindicato dos Trabalhadores. &Eacute; um assunto deles. Ficou uma situa&ccedil;&atilde;o complicada porque o presidente do Sindicato dos Trabalhadores disse assim: &lsquo;Eu n&atilde;o fui convidado&rsquo;. Se ele tivesse que ser convidado, teria que ser pelo sindicato patronal. Mas ele disse que n&atilde;o ia participar... Na verdade eu recebi as associa&ccedil;&otilde;es para que elas pudessem dizer o que elas estavam sentindo naquele momento e onde a federa&ccedil;&atilde;o podia ajudar. Mas achava tamb&eacute;m que j&aacute; estava em cima da hora. Mas pelo menos, oferecer sugest&otilde;es e eles tamb&eacute;m sugeriram uma ideia. Como os sindicatos da patronal e dos trabalhadores n&atilde;o foram as associa&ccedil;&otilde;es, poderiam entrar com alguma a&ccedil;&atilde;o judicial para resolver esse imbr&oacute;glio.<br /> <br /> P: Parece que a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a foi determinante para o impedimento da virada de Natal. Foi isso?<br /> R: Transporte e seguran&ccedil;a. Primeiro porque para abrir as lojas em uma virada dessa &eacute; preciso obedecer a certas regras trabalhistas. &Eacute; preciso que voc&ecirc; tenha intervalo da jornada, hor&aacute;rio de almo&ccedil;o, b&ocirc;nus de trabalho, hora extra, tempo de intervalo da hora que o trabalhador sai. &Agrave;s vezes, um funcion&aacute;rio entra em um hor&aacute;rio que ele fica ou por for&ccedil;a de lei ele tem que deixar o expediente dele no intervalo da madrugada. Ent&atilde;o, &eacute; natural que ele queira ser conduzido at&eacute; em casa, no ve&iacute;culo da empresa, ou talvez pague um transporte alternativo ou um t&aacute;xi. Talvez essa situa&ccedil;&atilde;o sirva para que as partes, nas pr&oacute;ximas oportunidades que tiverem, possam se ajustar melhor, oferecendo condi&ccedil;&otilde;es e seguindo as leis trabalhistas e tamb&eacute;m oferecendo aos empregados uma condi&ccedil;&atilde;o melhor. Porque quando acontecem essas situa&ccedil;&otilde;es, se n&atilde;o for provocada uma situa&ccedil;&atilde;o dessas, geralmente, empregados e patr&otilde;es n&atilde;o disponibilizam de tempo para conversar. Agora, n&atilde;o. Como aconteceu essa situa&ccedil;&atilde;o, talvez v&aacute; estimular a abertura de um canal mais amplo de di&aacute;logo. Agora &eacute; Natal. Daqui a pouco vem Carnaval, depois dia das m&atilde;es e dia dos pais, C&iacute;rio. Ent&atilde;o tem sempre esses eventos.<br /> <br /> P: Esse impedimento da virada do Natal quebra at&eacute; com uma tradi&ccedil;&atilde;o comercial...<br /> R: Com o h&aacute;bito e a tradi&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> P: Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, quem &eacute; que perde mais? A sociedade ou o comerciante?<br /> R: Penso que os dois perdem. At&eacute; o pr&oacute;prio empregado. De repente, a grande massa de trabalhadores do shopping n&atilde;o esteja satisfeita com a assinatura. Porque o Sindicato dos Trabalhadores fez uma assembleia onde ouviu um grupo e esse grupo decidiu por uma situa&ccedil;&atilde;o que talvez n&atilde;o tenha agradado. Nessas assembleias, tanto dos trabalhadores quanto dos patr&otilde;es, acontece isso. Tem pessoas que s&atilde;o habituadas a ir e v&atilde;o com muita frequ&ecirc;ncia. A dos trabalhadores &eacute; do mesmo jeito. Mas tem pessoas que, por comodidade, n&atilde;o v&atilde;o e s&oacute; esperam a resposta. &Eacute; nessas horas que quem participa toma algumas decis&otilde;es que ningu&eacute;m sabe a quem agradou. A gente j&aacute; sabe not&iacute;cias de quem tem lojistas que eram a favor do impedimento, mas tem muitos lojistas que queriam abrir. Tem muitos trabalhadores que se preocupam. Eu acredito que eles perdem muito em comiss&atilde;o. A sociedade tamb&eacute;m perde. Tem pessoas que passam o per&iacute;odo de Natal, confraterniza&ccedil;&atilde;o e at&eacute; o pr&oacute;prio emprego no shopping, pela comodidade.<br /> <br /> P: H&aacute; possibilidade de ser feita negocia&ccedil;&atilde;o entre patr&otilde;es e empregados com validade para todas as datas comemorativas do ano todo?<br /> R: Pode ser feita, desde que o sindicato patronal e o laboral cheguem a um acordo, pode ser feita. Na maioria das vezes, por interesse na negocia&ccedil;&atilde;o de ambas as partes, o acordo n&atilde;o &eacute; feito. Especialmente o sindicato laboral: n&atilde;o aceita porque na pr&oacute;xima etapa de negocia&ccedil;&atilde;o ele ter&aacute; condi&ccedil;&otilde;es mais vantajosas na negocia&ccedil;&atilde;o. Se ele fizer um acordo para o ano todo, de repente, em algum quesito que fosse melhor para o trabalhador, j&aacute; teria fechado o acordo com anteced&ecirc;ncia, mas talvez n&atilde;o tenha conseguido o que os trabalhadores precisavam.<br /> <br /> P: Essa limita&ccedil;&atilde;o de abertura come&ccedil;ou no setor de supermercadista... A interfer&ecirc;ncia &agrave; livre iniciativa n&atilde;o prejudica o com&eacute;rcio como um todo?<br /> R: Prejudica. Inclusive, o supermercado que tem loja no shopping funciona. Porque o shopping tem regra de hor&aacute;rio diferente de supermercado de rua. Ent&atilde;o, ficam dois pesos e duas medidas. Isso &eacute; prejudicial. O Sindicato dos Trabalhadores &agrave;s vezes faz alguma negocia&ccedil;&atilde;o com o sindicato patronal com o intuito de proteger o trabalhador. Mas quem &eacute; que pode dizer que aquela negocia&ccedil;&atilde;o que foi feita para fechar uma loja beneficiou o trabalhador? Toda vez o argumento &eacute; o mesmo: que o trabalhador precisa passar o domingo com a fam&iacute;lia. Sim, mas h&aacute; escalas. Para a sociedade, olha a comodidade. De poder escolher um hor&aacute;rio de ir ao supermercado... Al&eacute;m de emperrar a livre iniciativa e o desenvolvimento do com&eacute;rcio, cria tamb&eacute;m esses problemas para a sociedade. At&eacute; para a evolu&ccedil;&atilde;o da cidade, do Estado, do pa&iacute;s. Observamos no mundo todo as lojas abertas 24 horas. Aqui no Brasil mesmo, no Rio Grande do Sul, no Brasil inteiro a gente v&ecirc;, praticamente em todas as cidades, as capitais possuem a virada do ano. Ent&atilde;o &eacute; sim uma tradi&ccedil;&atilde;o. Na medida em que o sindicato dos trabalhadores n&atilde;o faz uma negocia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o chega a um acordo, ele quebra todo esse h&aacute;bito.<br /> <br /> P: Enquanto em Bel&eacute;m se criam dificuldades para o livre funcionamento do com&eacute;rcio, em outras capitais brasileiras e do mundo parece que est&aacute; ganhando corpo essa ideia do com&eacute;rcio 24 horas. O senhor acha que em Bel&eacute;m isso em algum momento vai chegar?<br /> R: Bel&eacute;m j&aacute; evoluiu bastante. De vez em quando acontecem essas situa&ccedil;&otilde;es que emperram um pouco, mas a gente sabe que isso faz com que as pessoas que est&atilde;o negociando, principalmente a categoria laboral, abra a mente e os olhos para que saibam que a partir do momento que eles colaboram, dando alguma parcela de contribui&ccedil;&atilde;o, ajudando a ter uma flexibiliza&ccedil;&atilde;o na negocia&ccedil;&atilde;o, isso faz com que o com&eacute;rcio se desenvolva e n&oacute;s comerciantes possamos dar um rendimento melhor. Na medida em que voc&ecirc; emperra, cria dificuldade, voc&ecirc; dificulta mais ainda as quest&otilde;es salariais, nas bonifica&ccedil;&otilde;es que a gente imagina dar ao empregado. Ent&atilde;o, &eacute; dessa forma que os trabalhadores precisam enxergar. &Eacute; uma vis&atilde;o macro. Quanto ao ano-novo, ser&atilde;o seguidas as regras normais, hor&aacute;rios normais de abertura de shopping.<br /> <br /> P: Teria como estimar o preju&iacute;zo gerado com a falta da virada?<br /> R: N&atilde;o fazemos ideia do preju&iacute;zo. Eles t&ecirc;m um estudo da venda. Mas como houve apenas uma adapta&ccedil;&atilde;o, o com&eacute;rcio mesmo n&atilde;o abrindo &agrave; noite toda e o dia seguinte inteiro, eles conseguiram antecipar o hor&aacute;rio da abertura para que eles n&atilde;o perdessem muito volume. E por for&ccedil;a do h&aacute;bito, pode at&eacute; ser que essa perda n&atilde;o seja muito grande. Apenas houve uma mudan&ccedil;a no h&aacute;bito do consumidor que passaria a ter uma comodidade maior, podendo ir ao shopping &agrave; noite e poder escolher seu produto com mais conforto com uma quantidade menor de pessoas. Mas pode ser que sob o aspecto do volume de vendas essa queda n&atilde;o seja t&atilde;o substancial.&nbsp;</p>
<p>(Di&aacute;rio do Par&aacute;)</p>
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