O caos na saúde pública do Pará é caracterizado pela falta de leito aos pacientes, falta de médicos e de medicamentos que afetam diretamente as pessoas que buscam atendimentos nesse serviço, seja da esfera estadual ou municipal.
Às vésperas do ano-novo, esse quadro tem sido real para o paciente José Barbosa Ramos, de 37 anos, que diagnosticado por câncer no estômago, espera prostrado em sua cama, uma vaga no hospital Ophir Loyola há quatro meses.
A agonia de José Barbosa com o câncer começou em agosto passado, quando ele descobriu que estava com a doença. Desde então, a preocupação tomou conta do paciente que o fez correr atrás de tratamento no hospital referência do Estado, o Ophir Loyola, mas para a surpresa dele a falta de estrutura daquela unidade de saúde fez com que ele realizasse os exames para o diagnóstico da doença em uma clínica particular da cidade.
“Quando eu fui fazer o exame lá, os médicos disseram que todas as máquinas estavam com defeito. O jeito foi eu tirar dinheiro do meu próprio bolso para fazer esses exames numa clínica particular”, disse José Barbosa.
O resultado dos exames deixou claro a existência de três tumores malignos no estômago. Novamente em contato com o hospital Ophir Loyola, José ouviu de um médico a urgência do problema que poderia resultar na perda de até 60% do órgão da vítima, mas a falta de leito foi outro obstáculo para que ele fosse atendido naquele hospital e que fosse realizada uma cirurgia para a retirada dos tumores.
“A assistente social do Ophir Loyola disse que não tinha vagas, que até eu ser atendido duzentas pessoas estavam na minha frente na lista de espera”, recorda José.
Após quatro meses tentando ser atendido no hospital, a situação de José piorou, o que resultou em perda total do estômago do paciente, além do risco de morte ser real para ele.
“Das vezes que fui consultado no Ophir Loyola, o médico disse que esse meu câncer é fulminante. Antes fui diagnosticado que poderia perder 60% do meu estômago, mas já perdi tudo e posso perder outras partes. O próprio médico disse que tenho que ser operado imediatamente, mas até agora nada”, lamentou José.
Enquanto o atendimento no hospital Ophir Loyola não acontece, José Barbosa encontra nos familiares a força para superar essa situação que lhe deixa em muitas dores sobre sua cama.
“Não suporto ver o meu filho nesse estado, quero que ele seja ajudado com urgência. Ele está esperando todo esse tempo, mas a gente sabe que a doença não espera e pode fazer acontecer algo pior com ele”, concluiu Maria Barbosa, mão do paciente.
O DIÁRIO fez contato com a assessoria do Ophir Loyola, mas não teve retorno.
(Diário do Pará)
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