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<p>Lixo doméstico e dejetos variados são encontrados em diversos canais de Belém. E agora, com as fortes chuvas que já começaram, mesmo que timidamente, a principal preocupação dos moradores é que os canais transbordem, uma tendência que se repete ao longo dos anos. </p>
<p>Moradora da rua do Canal do Galo com Acampamento há mais de 30 anos, a dona de casa Ruth Cardias, de 35 anos, disse que nem a coleta de lixo é feita regularmente. “Às vezes, a gente tem que pagar até cinco ou dez reais para tirarem o lixo da frente das nossas casas. O caminhão do lixo até passa, mas nem sempre leva o lixo daqui”, afirmou a moradora.</p>
<p>“Quando chove, a rua fica só um aguaceiro e, ao secar, a gente vê o chorume escorrendo dos lixos. Isso atrai moscas, ratos e outros animais nocivos”, continuou Ruth. “Meu sobrinho Mateus nasceu com esse lixo na frente de casa. Agora, a mãe dele tem um bebê de dois meses e, quando eles estão com diarreia ou dor de barriga, a gente não sabe por que”, disse Ruth.</p>
<p>Bruna Souza, mãe de Agatha, de apenas dois meses de vida, disse que está preocupada com o aumento das chuvas nesse período.</p>
<p>“Apesar de isso ser uma rotina pra gente, é muito difícil viver assim porque nós tínhamos esperança de que um dia isso mudaria, mas pelo visto vai continuar assim. E, quando começar a chover forte, a gente vai passar pela mesma situação todos os dias: o canal transbordando e a água dentro das nossas casas”, avaliou. </p>
<p>Em outro canal da cidade, na travessa Visconde de Inhaúma com a Timbó, as cenas mais comuns são de pessoas despejando lixo às margens do canal. Sofás, restos de madeira e até vasos sanitários são encontrados no mesmo espaço. </p>
<p>José Dias, de 61 anos, disse que esta situação persiste por muitos anos. “Todo dia é assim: muito lixo depositado nesse mesmo lugar. Na frente da minha casa, na Timbó, fica tudo alagado. De dois em dois dias aparece alguém aqui para retirar, mas logo depois já tem de novo um monte de lixo no canal. Tem um senhor da outra esquina que revende uns vasos sanitários e ele insiste em colocar à mostra na beira do canal”, denunciou. </p>
<p>No canal da Pirajá, entre Lomas Valentinas e a Rua Nova, mais lixo toma conta da rua e de boa parte do canal. A moradora Conceição de Souza, 49 anos, disse já ter visto objetos que jamais achou que fosse encontrar no local.</p>
<p>“Tem gente que joga casco de geladeira, de TV, de vários objetos. Até sofás a gente vê. É um verdadeiro lixão”, comentou. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saneamento do Município (Sesan), mas até o fechamento desta edição a secretaria não se posicionou.</p>
<p>(Diário do Pará)</p>
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