Os trabalhadores da rua 12 de Outubro, no 40 Horas, em Ananindeua, tiveram os pontos comerciais demolidos por máquinas da Prefeitura de Ananindeua. Na manhã de ontem, eles se apressaram para arrancar as grades, as portas, destelharam os estabelecimentos, para não perder tudo o que conquistaram com muito trabalho.
Para impedir que todos os pontos fossem demolidos na rua, os comerciantes tocaram fogo em pedaços de pau e pneus. Mesmo assim, o trabalho prosseguiu. O Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar as chamas.
Na terça-feira, os trabalhadores e os ambulantes em frente ao Mercado Municipal do 40 Horas, foram notificados, que num prazo de 48 horas deveriam deixar o local, por se tratar de um espaço irregular para comércio. Os ambulantes foram remanejados para dentro do mercado, que ainda será inaugurado. Porém, os demais trabalhadores reclamaram que a prefeitura não deu opção de outro espaço para se instalarem. Na notificação, a prefeitura ainda informava que providenciaria o corte da energia elétrica.
Cirlei da Silva, 58, é proprietário de um dos pontos há mais de 10 anos. A filha trabalhava no local e agora terá que arranjar outro meio para sobreviver. “Eles vão demolir. Pedi para esperar até meio-dia e disseram que não dava. Tem muito pai de família aqui que vai ficar desempregado. Não sei para onde vamos”, lamenta.
Crispim Domingos, 53 anos, trabalhava como cabeleireiro com o genro e o filho. Era do estabelecimento que eles tiravam o sustento da família. “Não temos para onde ir. Minha casa fica numa invasão. Não tem como trabalhar lá. Faz 11 anos que estava aqui. Paguei pelo local. Teve uma época, antes das eleições, que eles (funcionários da prefeitura) passaram tomando nome para nos colocar em outro lugar. Depois das eleições, nada”, diz.
O ponto comercial era a única fonte da renda da desempregada Maria Helena Santana, 39 anos. Ela alugava o espaço por R$ 240 para servir de salão de beleza. Recentemente gastou R$ 500 para reformar o telhado e agora perdeu tudo. “Eu comprei isso aqui. Não invadi, não fiz nada. Tenho a documentação. Estou desempregada e este era meu sustento”, frisa. Sem saber o que fazer, o cabeleireiro Pedro Paulo Raiol, 43 anos, lamentava por ter o local de trabalho completamente destruído.
A Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura (Sesan) informou que a ação de postura para regularização do local, foi necessária devido as barracas estarem ocupando indevidamente a via pública próximo ao mercado. A secretaria esclareceu ainda que as 12 barracas foram notificadas e reiteradas sobre a ação.
(Diário do Pará)
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