Vasculhar a memória em busca de uma Ananindeua antiga é como entrar em um labirinto: são muitos os caminhos e várias as possibilidades.
O taxista Luís Tavares, de 53 anos, morador do município desde criança, acredita que a memória e a história da cidade podem ser contadas pela urbanização e crescimento.
“Vim pra cá quando eu tinha uns quatro ou cinco anos de idade e não havia nada disso que temos agora. Tudo aqui era um grande pimental de colonos japoneses, uma grande área que tínhamos para brincar”, relembra o morador da Cidade Nova, área mais populosa de Ananindeua.
Em comparação à sua infância na cidade, Luís diz que os netos não têm do que se queixar. “Temos praças e outros espaços, como os shoppings, para levá-los para brincar. Claro que a questão da violência incomoda, mas isso acontece em toda grande cidade”, acredita.
Mesmo assim, a aposentada Telma dos Santos diz que não troca Ananindeua por nada. Moradora da cidade há 19 anos, tem boas lembranças de quando se mudou para Ananindeua. “Foi meu primeiro apartamento e comprei todo mobiliado por um preço que era uma pechincha na época”, relembra.
Telma conta que nunca achou complicado morar na cidade. “Eu morava próximo à (rodovia) BR-316 e o ônibus para Belém sempre foi fácil pegar. Também tem um posto de saúde, posto policial e uma área comercial bem próximo de onde moro”, destaca.

Com cerca de 500 mil habitantes, Ananindeua é a segunda cidade mais populosa do Pará. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
Atualmente, a cidade é bem diferente de quando o vigilante Jailton Ferreira resolveu se mudar, há 27 anos. A adaptação foi difícil no começo, principalmente para os filhos.
“Não tinha asfalto, nem saneamento. Morava em uma rua de piçarra que quando chovia virava lama”, relembra. “Ônibus também era difícil, eram poucas linhas, tínhamos que andar cerca de um quilômetro para pegar um coletivo e poder ir para Belém.”
O transporte público, aliás, é a única reclamação do morador. “A cidade se desenvolveu e é muito boa para morar. Hoje não precisamos mais ir para Belém atrás de supermercados, bancos, shoppings, farmácias. Se houvesse mais investimento por parte do poder público, Ananindeua teria uma melhor qualidade de vida para os seus moradores”, avalia.

(Antonio Santos/DOL)
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