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Jatene herda de si mesmo Estado em frangalhos

Não fosse ele mesmo seu próprio sucessor, o tucano Simão Robson Oliveira Jatene, 65 anos, teria motivos de sobra para ir à imprensa reclamar de herança maldita. Para todos os lados que se olhe, o Pará - que será governado por Jatene pela terceira vez - é

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Não fosse ele mesmo seu próprio sucessor, o tucano Simão Robson Oliveira Jatene, 65 anos, teria motivos de sobra para ir à imprensa reclamar de herança maldita. Para todos os lados que se olhe, o Pará - que será governado por Jatene pela terceira vez - é um Estado à beira do colapso social.

Os tucanos estão no poder no Estado desde 1995, quando Almir Gabriel assumiu o primeiro governo. Em 2002, após dois mandatos de Almir, Jatene assumiu o Estado pela primeira vez como o chefe do Executivo, mas ao longo dos anos anteriores havia sido o homem forte do governo, sendo o mentor de ações como a privatização da distribuidora de energia elétrica (Celpa).

Os recursos obtidos com a venda da Celpa deram a Almir algum fôlego para investir, mas em algumas obras pontuais. O Pará continuou patinando em sofríveis índices nas áreas da saúde, educação, saneamento e segurança. Após o primeiro mandato de Jatene, os tucanos ficaram quatro anos fora do governo com a vitória da petista Ana Júlia Carepa e, em 2011, voltaram com Jatene, agora reeleito para mais quatro anos.

ENTRE OS PIORES

O Pará que Simão Jatene deixa, quatro anos depois para o agora reeleito Simão Jatene, é um Estado com os mesmos desafios - e alguns agravados.

Um dos retratos mais fiéis da falta de investimentos na área social no Pará é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O índice levantando pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) leva em conta fatores como a longevidade e o acesso à educação. Fica no Pará o pior IDH do Brasil. Melgaço, no arquipélago do Marajó, com 0,418, figura na faixa de cidades com muito pouco desenvolvimento humano, igualando-se a diversos países da África. Os dados do Pnud mostram que o Melgaço não é um caso isolado no Estado. No ranking nacional, o Pará figura em 24º lugar entre as 27 unidades da Federação. Ou seja, é o terceiro pior do Brasil, com índice geral de 0,646.

Dos 16 municípios do Marajó, oito estão entre os 50 piores IDHs do Brasil: Melgaço, Chaves, Bagre, Anajás, Portel, Afuá, Curralinho, Breves, Cachoeira do Piriá, Ipixuna do Pará, Jacareacanga e Porto de Moz. Dos 144 municípios do Estado, 88 apresentaram Baixo Índice de Desenvolvimento Humano. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Pará regrediu na última década, caindo cinco posições no ranking que avalia o Índice de Desenvolvimento Humano das cidades. Caiu do 19º para o 24º lugar.

Esses dados são resultado de falta políticas públicas para desenvolver áreas essenciais à melhoria das condições de vida da população.

Na saúde, por exemplo, o Estado amargou o quarto pior orçamento em 2013. Embora a Constituição determine gastos de 12% das receitas do tesouro, apenas 9,1% do orçamento do Estado foram aplicados em saúde. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo Estadic/2013. O gasto per capita do Pará com saúde é o menor do país (R$ 212,96).

Educação e segurança seguem como áreas críticas.

Discurso de posse admitiu problemas da gestão.

(Diário do Pará)

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