Denúncias de ameaças de morte dentro de prédio público. Tiros contra um carro estacionado na rua. Pressões para venda de empresa que detém o controle da bilhetagem eletrônica, cuja arrecadação mensal supera R$ 5 milhões. Em Ananindeua, a Secretaria Municipal de Transporte (Semutran), comandada pelo coronel da Polícia Militar Marco Machado, virou literalmente um caso de polícia. Um sobrinho do coronel, o soldado da PM Leonardo Machado, lotado em Castanhal, mas à disposição do tio em Ananindeua, é quem, segundo as denúncias, supostamente, faz as honras da casa. No melhor estilo de um xerife do velho oeste americano, “Léo”, como é mais conhecido, utiliza-se de pistola carregada de balas como instrumento de “diálogo” para impor as vontades do tio na administração municipal.
O DIÁRIO obteve gravações, documentos de processos judiciais e boletins de ocorrência na delegacia do Paar e Promotoria Militar que envolvem o soldado e o coronel. O problema todo gira em torno de irregularidades dos recursos oriundos de arrecadações dos transportes do município, como a forma de prestação de contas. Foi a partir dessa descoberta que o casal Margalho teria começado a sofrer ameaças e perseguições. “A questão aqui é a legalidade, não é dinheiro, não é uma briga entre sócios. Aqui é uma empresa que tem uma imagem e do outro lado uma empresa servindo de laranja. É necessário desfazer esse esquema de quadrilha”, afirmou Margalho.
Contra “Léo” e Marco Machado, além do capitão Erick Taylor da Silva, diretor de trânsito da Semutran, será aberto um procedimento apuratório pelo promotor militar Armando Brasil Teixeira. “A ocorrência feita ao Ministério Público Militar pelo casal de empresários chegou agora, no fim de 2014, em pleno recesso, mas já no próximo dia 7, quando eu retornar ao trabalho, irei tomar as providências”, informou Brasil. Ele também quer saber o que faz em Ananindeua um soldado cuja lotação é em Castanhal.
NA MIRA DA PISTOLA
Segundo boletim de ocorrência feito na delegacia do Paar pelo empresário André Margalho, proprietário da empresa de bilhetagem eletrônica Abcomp - que é consorciada com a empresa Somurb, em Ananindeua, e detém o controle da arrecadação -, ele recebeu ligação telefônica do coronel Machado para que comparecesse à Secretaria de Transportes para uma reunião a respeito de bilhetagem eletrônica. Na manhã do dia seguinte, Margalho compareceu à Semutran e no local já estavam o coronel Machado e o empresário João Sampaio, proprietário da empresa Expresso Modelo, além de seu filho, Sílvio Sampaio, que é vice-diretor do consórcio Abcomp-Somurb. Também estava na sala de reunião o soldado “Léo”, fiel escudeiro do coronel.
Diz Margalho no BO que na reunião tratou da venda de sua empresa, a Abcomp. O coronel questionou que se, a venda fosse confirmada, Margalho deveria vendê-la a Sampaio. De acordo com Margalho, ele tinha a intenção de vender a empresa para João Sampaio, dando a ele a preferência de compra, até porque já havia notificação extrajudicial direcionada ao filho de João e a Carlos Andrei. Nesse momento, segundo narração de Margalho, “Léo” levantou-se com uma pistola em punho, apontando a arma para ele e falando em voz alta, por diversas vezes: “Eu te mato, eu te mato”. E que “Léo” passou a dizer que, caso Margalho o prejudicasse, juntamente com seus familiares, iria se ver com ele (“Léo”), prometendo matá-lo.
Os que estavam na sala ficaram sem saber o que fazer, apenas presenciando a ameaça. Foi quando o coronel Machado levantou-se e pediu que “Léo” fosse retirado da sala. Ainda segundo a denúncia, depois que “Léo” saiu, o coronel, virando-se para Margalho, teria pronunciado, segundo acusação do empresário, textualmente, as seguintes ameaças: “Tu estás vendo o que conseguistes? E agora, como eu vou conseguir tirar esses caras da tua cola? Esses caras não têm nada a perder, tu não sabes o que é acordar todos os dias sem saber se a tua filha está bem, sem saber se a tua mulher está viva e sem saber se, quando tu abrires a porta do carro, vai vir um motoqueiro fantasma e isso não é brincadeira de arminha, não, isso é sério. O prefeito [Manoel Pioneiro] me mandou resolver e eu sou soldado, eu cumpro ordens, e se tu não venderes pro João eu acabo com a licitação, mesmo passando por incompetente, mas aí o teu problema vai ser comigo”.
Corregedoria da PM investiga "Léo".
Dois tiros contra carro de empresário.
Livros-caixas sequestrados da empresa.
(Diário do Pará)
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