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Moradores de Belém temem por alagamentos

Pessoas que moram em locais que são constantemente alagados em Belém já estão preocupadas com as fortes chuvas do chamado “inverno amazônico”. Todos os anos, essas áreas sem infraestrutura nenhuma são castigadas nesse período. A chuva que caiu no último d

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Pessoas que moram em locais que são constantemente alagados em Belém já estão preocupadas com as fortes chuvas do chamado “inverno amazônico”. Todos os anos, essas áreas sem infraestrutura nenhuma são castigadas nesse período. A chuva que caiu no último dia 30 em Belém e Área Metropolitana foi equivalente a uma chuva do mês todo, segundo constatou o diretor de meteorologia, José Raimundo Abreu, do Instituto de Meteorologia do Pará (Inmet). “Essa chuva foi a maior em 90 dias, alcançando um volume de 70 milímetros, considerada intensa”, ressaltou.

Muita gente teme pelo pior quando começarem a cair chuvas de longa duração. O eletricista Antônio Amaral, de 53 anos, que trabalha na travessa Angustura, contou que a tempestade do dia 30 de dezembro ultrapassou as calçadas e deixou prejuízos. “Toda vez a rua enche e a água transborda. As pessoas que trabalham mais lá na frente deixam seus carros aqui no início da via e acabam sendo prejudicadas com o aguaceiro de qualquer forma”, disse.

Substituir materiais para fortalecer a construção ou até lidar com a perda de imóveis por causa dos constantes alagamentos. A moradora Luisa Barbosa, 57, passou por isso. Ela lucrava com o aluguel de duas casas atrás de sua residência, na travessa Mariz e Barros com a avenida João Paulo II, mas teve que se desafazer do negócio.

“Essa é a terceira casa construída. Já perdemos muito material de construção e agora esta casa está bem alta. As pessoas dizem que ela não está no padrão, mas é o jeito que encontramos para que a água não entre em casa. Além disso, sou diabética e não posso pôr os pés dentro d’água. Tenho pavor de quando começarem as chuvas e ter que me deparar com a água dentro de casa”, relatou.

Muitos moradores contam que não precisa cair uma tempestade para encher as ruas do bairro do Marco, em Belém. Lene Batalha, moradora da passagem São Marcos, entre Mariz e Barros e Mauriti, descreveu momentos de agonia vividos na última tempestade. “Aquele dia foi horrível, muitas casas encheram. A minha casa está em obras e qualquer chuva é preocupante. A pessoa não tem para onde correr. É capaz de nós fazermos uma grande mobilização quando iniciarem as chuvas mais fortes porque ninguém aguenta mais essa situação”, sinalizou.

“Estão acontecendo umas obras paliativas aqui na rua que mais atrapalharam do que ajudaram. Colocaram um aterro desde a Barão até a Vileta e agora, com a enchente, todo mundo ficou ilhado, passando a noite com a água empoçada na porta de suas casas”, descreveu.

POPULAÇÃO DENUNCIA TRABALHO MAL FEITO

Outra moradora indignada com a situação, Rosilene Reis disse que as obras feitas na comunidade do Marco estão inacabadas e tiveram o intuito de silenciar os moradores revoltados. “A minha rua, a José Leal Martins, foi aterrada junto com algumas outras, mas foi um trabalho mal feito, sem pavimentação e não colocaram tubulação nenhuma. Foi feita só para calar a boca da gente que fez a manifestação no começo do ano passado. Então, a água não tem para onde escoar e vai tudo para nossas casas. E agora, mesmo com chuvas rápidas, mas fortes, nos vemos em uma situação de abandono, sem soluções para o problema das enchentes”, disse.

“Meu filho tem problemas respiratórios e é obrigado a viver dentro de casa quase que 24 horas. Temo pela saúde dele. Além disso, tem a questão das nossas casas também. Vemos que o governo e a prefeitura não têm um cuidado com as comunidades que sofrem todos os anos com essas enchentes e nós é que somos obrigados a conviver dessa forma. Todo ano, as águas entram nas nossas casas. Somos seres humanos, e não bichos”, desabafou Rosilene Reis.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saneamento de Belém (Sesan), mas não obteve resposta.

(Diário do Pará)

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