Valdinei Teixeira, 46 anos, já não é mais um adolescente. Entretanto, foi na juventude que teve o primeiro contato com o crack. Foi preciso mudar de município e até de Estado para fugir do vício. Perdeu a família, amigos e vendeu tudo o que tinha dentro da própria casa. “Eu posso te dizer que hoje a vida é uma maravilha perto do que era”, conta Valdinei.
Em janeiro de 2009, ele esteve na Federação Brasileira de Comunidade Terapêutica, em Campinas, São Paulo, e, em um curso, aprendeu a lidar com dependentes químicos. Atualmente, é conselheiro no Centro Nova Vida e se dedica a cuidar de outras pessoas que enfrentam as drogas.
Com 13 anos teve o primeiro contato com o crack, por meio do tio, quando morava no município de Abaetetuba. Aos 18 anos, conheceu a cocaína. “No início eu me sentia livre, tinha coragem. Quando eu usava, perdia a inibição. Ia para as festas e conseguia dançar e também chegar nas meninas”, relata. Além de consumir, passou a traficar. Exercia uma boa relação com os usuários e vendia em festas para pessoas de classe social elevada.
Quando conheceu a mulher com quem é casado, passou a mudar de atitude, mas não por muito tempo. Em uma das recaídas, foi assaltar no bairro da Cidade Velha, em Belém. A vítima era um tenente da Polícia Militar, que reagiu. Valdinei ficou detido por 90 dias. “Desde esse dia eu disse que nunca mais ia assaltar. Foi quando passei a roubar dentro das empresas que eu trabalhava.” O ex-usuário não parava nos empregos. Quando descobriam que desviava mercadorias e ficava com o dinheiro, o mandavam embora.
“Tentei parar sozinho várias vezes, mas não consegui.” Devido às drogas, contraiu várias infecções, que resultaram em grandes cicatrizes no estômago. “Fui desenganado pelos médicos. Eu ficava aprisionado na droga, mas não tinha força para parar. Nos últimos dias do meu uso, eu usava chorando, para me matar mesmo. Era muito mais forte do que eu. Sozinho é impossível.”
O tratamento de Valdinei não foi fácil. Um amigo o levou para ser internado.
“Todos os dias dava vontade de ir embora, mas eu precisava ficar”, lembra. Ele venceu o vício e hoje se considera uma pessoa limpa. Voltou a morar com a esposa e os três filhos, duas meninas, uma de 22 e outra de 19 anos, e um menino de 18. Uma das filhas cursa odontologia e os outros se preparam para entrar na faculdade.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar