A reportagem do DIÁRIO foi às ruas de Belém e ouviu sete mulheres com idade acima dos 40 anos para descobrir se já fizeram ou não o exame de mamografia. Apesar de terem conhecimento sobre a doença, pelo menos quatro delas responderam nunca ter feito por não sentir uma “real” necessidade de se submeter à análise, além da dificuldade de conseguir marcar o exame por meio da rede pública - e até mesmo por custar caro se for particular. Algumas clínicas da capital ofertam o exame de mamografia pelo valor de R$ 150 a R$ 180.
“É difícil conseguir fazer pela rede pública. A gente não tem tempo de ir atrás e é uma coisa demorada. Eu fiz há um ano porque minha patroa pagou, na época. Sei que é importante, quero fazer este ano. Mas vou tentar fazer pelo SUS”, disse a empregada doméstica Fátima Dias, 40. Apesar de ter plano de saúde, a professora Ivete Figueiredo, 67, conta que nunca se preocupou em fazer o exame. “Nunca fiz porque nunca achei necessário. Mas vai chegar a oportunidade de fazer. Tenho plano e farei por lá. Pela rede pública deve ser mais difícil, pois mesmo pagando já é complicado”, garante.
A vendedora Rosana Silva, 43, pretende fazer o exame, mas acredita que precisará ter paciência. “Faço o autoexame e a mamografia nunca fiz. Mas algum dia vou fazer e tenho quase certeza de que será pela rede pública. Pelo SUS demora muito, sei disso porque tenho quatro filhos e padeço com isso. Você marca consulta, exame e nunca é chamado. Às vezes, passam-se seis meses, um ano, aí eu desisto. O governo deveria facilitar mais isso. Tinha que ter mais médicos nos postos de saúde. Se for o caso de você morrer, você morre”, reclama.
Já a auxiliar de limpeza Andrea Custódio, 46, fez o exame pela última vez em 2013 e garante que este ano fará novamente. “Deu tudo normal e ano passado não procurei. Mas agora em 2015 vou fazer. Em 2013, fiz pela empresa na qual eu trabalhava e, se Deus me ajudar, farei novamente particular, porque no público até consulta é ruim. É importante fazer esse acompanhamento. Mas, para marcar pelo posto, é maior o sacrifício”, relata.
Aos 51 anos, a manicure Iza Maciel diz que já chegou a sentir dores em uma das mamas, mas até hoje não fez o exame. “Sempre faço o autoexame e nunca percebi nada. Uma vez senti dor no seio e uma cliente mastologista me receitou um medicamento. Nunca mais senti nada. É complicado fazer exame pelo SUS porque tem que enfrentar fila para conseguir consulta. Às vezes, você sai cedo de casa e nem consegue ficha. Por isso, muitas vezes, a gente opta por fazer particular”, critica.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar