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Pará tem menor frequência de mamografias no Brasil

De janeiro de 2010 a julho de 2014, o Pará registrou 1.022 óbitos por câncer de mama. No hospital Ophir Loyola, referência no atendimento oncológico da rede de saúde pública do Estado, foram atendidos o total de 2.495 casos da doença, entre 2009 a 2013. O

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De janeiro de 2010 a julho de 2014, o Pará registrou 1.022 óbitos por câncer de mama. No hospital Ophir Loyola, referência no atendimento oncológico da rede de saúde pública do Estado, foram atendidos o total de 2.495 casos da doença, entre 2009 a 2013. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Segundo a Sespa, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, no Brasil, devem surgir 57.120 novos casos de câncer de mama. No Pará, estima-se 830 novos casos, sendo 360 somente na capital paraense.

Um levantamento realizado junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), pela Sociedade Brasileira de Mastologia em parceria com a Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia, mostrou que, com o percentual de 7,5%, o Pará ficou com a menor frequência de realização de mamografias entre os Estados do Brasil - exames que podem detectar de forma precoce alguma alteração nas mamas. Enquanto isso, a região Norte somou 12% de frequência dos exames - pior índice do país.

Para a mastologista Camila de Macêdo Loureiro, que atua nos Hospitais Saúde da Mulher e Ophir Loyola, uma série de fatores podem desencadear um baixo índice de realização de mamografias. Entre eles está a distância entre as localidades em um estado de grande extensão como o Pará. “Muitos municípios não são contemplados com mamógrafos. A maioria se concentra nos centros. Com isso, é muito difícil para que os pacientes cheguem aos locais onde os exames são feitos. Como não existe um plano de distribuição desses equipamentos, os municípios menores ou mais afastados não têm acesso”, explica.

A especialista acredita que poderia existir uma movimentação da administração dos próprios municípios e do Estado para que as cidades mais afastadas também tivessem acesso ao exame. “Os pacientes não precisariam ‘correr atrás’ para fazer o exame. A gente não pode colocar a culpa nos pacientes, seja pela falta de conhecimento ou porque é distante ou não têm acesso. Mesmo nos locais que dispõem do exame os equipamentos são sucateados ou não funcionam. Além de serem poucos, a maioria não está própria para o uso”, ressalta.

Além de a quantidade de mamógrafos ser insuficiente para atender a demanda, a mastologista destaca ainda a dificuldade que a população paraense encontra quando tenta buscar atendimento na rede pública de saúde. “Muitos pacientes, principalmente do interior, chegam ao Ophir Loyola com tumores muito avançados, a maioria por nunca ter feito o exame e nunca ter tido uma consulta. Muitas vezes, os pacientes têm consulta e exame para fazer, mas não conseguem. Isso se soma à falta de medidas para implantar o serviço, à distância dos locais e à falta de conhecimento da população.”

O QUE DIZ A SESPA

Em nota sobre o balanço publicado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) diz que os 34 mamógrafos existentes para atendimento a pacientes do SUS no Pará são suficientes para cobrir a demanda por mamografias no Estado, mas admite que “mulheres ainda enfrentam problemas diversos no encaminhamento da Rede Básica aos serviços especializados”.

MAMÓGRAFOS E CAPACITAÇÃO

A Sespa diz que está implantando mamógrafo no Ambulatório de Especialidades do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade do Estado do Pará, no Marco, e aguarda a chegada de mais três mamógrafos, adquiridos pelo Projeto Qualisus, para serem implantados em Belém (Casa da Mulher e Uremia) e Marituba.
A Sespa diz que nos últimos quatro anos vem trabalhando para facilitar o acesso ao exame, “descentralizando serviços no interior e sensibilizando os gestores municipais” sobre o encaminhamento das pacientes às Unidades Especializadas e Unidade Materno Infantil e Adolescente (Uremia) - que, segundo a Sespa, tem capacidade de realizar 38 mamografias por dia.
A secretaria diz que até outubro passado a Uremia realizou 7.800 mamografias. Na última semana, inaugurou seu Centro de Qualificação de Ginecologista, que capacita profissionais para a realização de exames como colposcopias, biópsias e exéreses do colo uterino no interior.

(Diário do Pará)

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