Com a criação de políticas públicas cujas premissas envolvem a democratização do acesso ao ensino superior, faculdades e universidades particulares deixaram de receber apenas a classe média brasileira.
Além do Programa Universidade para Todos, o ProUni, que concede bolsas de estudos integrais e parciais, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ambos do Governo Federal, mas com propostas e condicionantes diferentes, se tornou uma grande ajuda para quem conseguiu uma vaga na rede privada, mas não tem condições financeiras de arcar com a mensalidade durante o curso e precisa de um tempo para começar a pagar.
No entanto, por se tratar de um processo de endividamento, é fundamental que o universitário se planeje para a conta que, um ano e meio após a formatura, irá chegar.
“O estudante precisa ser consciente de que, a partir do momento em que ele recorre ao Fies, ele começa uma dívida, então é preciso preparo dentro do orçamento, de preferência, e se houver possibilidade, que se inicie uma reserva antes mesmo do período de carência começar a contar, para o pagamento do saldo devedor”, orienta a economista e educadora financeira, Patrícia Godoy. “Na maioria das vezes, o estudante primeiro consegue o financiamento e só depois vai pensar de que forma irá pagar”, explica.
JUROS
Em 2010 o Fies sofreu uma modificação e os juros praticados anualmente foram reduzidos, sendo fixados em 3,4%. A adesão ao Fundo exige ainda fiador (fiança convencional) ou fiadores (fiança solidária) do beneficiário. A inscrição pode ser feita a qualquer momento do ano pelo http://sisfiesportal.mec.gov.br/, onde também estão todas as informações sobre as etapas do financiamento.
“No fim das contas, quem usa o Fies acaba pagando a mesma coisa que paga quem faz o pagamento normal, todo mês, mas com alguns benefícios em relação aos juros cobrados e, claro, um prazo maior para a quitação total. O Brasil está entrando em um período de recessão que deve se estender por cerca de três anos, portanto, todo e qualquer endividamento precisa ser pensado com muito cuidado, é preciso consumir e comprar levando em consideração principalmente a necessidade”, orienta.
“É uma oportunidade que o Governo Federal dá, mas entre aspas, porque acarreta em uma responsabilidade financeira grande, especialmente por se tratar de um crédito que envolve fiador”, alerta Patrícia. “O jovem já entra no mercado de trabalho com dívidas que não vai conseguir sanar com o primeiro salário”.
(Diário do Pará)
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