Os dois meses da chacina que matou 11 jovens em Belém, foram lembrados com a exibição de um filme, na noite de ontem, no salão paroquial da igreja matriz da Terra Firme. Organizado pelo coletivo de comunicação do bairro, o minidocumentário de 10 minutos “Poderia ter sido você”, apresenta depoimentos de jovens que se colocam na condição de vítimas das chacinas ocorridas em Belém, Icoaraci e Santa Izabel do Pará. O minidocumentário foi antecedido por uma reunião com a participação de comunitários, entidades sociais como a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Cedeca/Emaús e Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública do Estado. Familiares das vítimas também acompanharam a reunião e ficaram emocionados com o filme. Até hoje eles reclamam da falta de respostas do Estado sobre os assassinatos. Valdemir dos Santos Rodrigues é o pai de Márcio Santos Rodrigues, de apenas 22 anos, o último jovem a ser assassinato naquela noite. Márcio saía de uma lanchonete com dois amigos, no bairro do Tapanã, por volta de 2h quando, a caminho de casa, viu a passagem de uma viatura policial. Atrás do veículo vinha uma motocicleta com três homens. Um deles atirou sobre os três amigos, acertando Márcio pelas costas. A vítima morreu na hora. Para a família ficaram apenas as lembranças e a esperança de um dia ver os culpados punidos. “Meu filho era trabalhador, não devia nada a ninguém, mas foi mais um inocente que perdeu a vida para a violência da cidade”, lamentou. Além das 11 vítimas assassinadas nos bairros da Terra Firme, Guamá, Tapanã e Jardim Sideral, três foram hospitalizadas e passam bem. Segundo o coordenador da Comissão Justiça e Paz, Francisco Batista, os atos para lembrar a chacina do dia 4 de novembro vão continuar com o objetivo de combater a impunidade e de cobrar do Estado a punição dos culpados. “Passados 60 dias, o sentimento nos bairros é de apreensão”. (Diário do Pará) |
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