Depois de uma longa estiagem, o período das chuvas frequentes na capital chegou e com ele a preocupação dos moradores que vivem às margens dos canais de Belém. Além do alto volume de água, o excesso de lixo nos córregos bloqueia a drenagem e provoca alagamentos.
Com a desordem, os moradores do bairro da Pedreira, um dos que “vão para o fundo” em dias de temporal, temem que a qualquer momento aconteça algo mais trágico: os canais transbordem.
Mesmo com a retirada do lixo na noite da última segunda-feira, 5, da beira do canal da rua Visconde de Inhaúma de esquina com a Timbó, na manhã de ontem, o local já estava tomado de entulhos.
Além do acúmulo, o córrego está com boa parte de sua mureta de proteção totalmente quebrada. O descaso tem revoltado a população, que é obrigada a conviver entre a sujeira, animais peçonhentos e o forte odor.
Há 20 anos, o engenheiro aposentado Cláudio Cunha mora às margens do canal. Ele relata os absurdos que acontecem no local ao longo do tempo em que vive ali.
“É difícil viver assim, entre o lixo. Ontem (segunda-feira), fizeram a coleta e o carro levou todos os entulhos da beira, mas quando amanhece já fica tudo cheio. Pessoas que moram longe daqui vêm jogar tudo o que não presta. Até geladeira eu já vi e animais mortos também. Aqui tem de tudo, rato, mucura, cobra, além de mosquitos”, disse.
A professora Shirley Aragão mora perto do canal da Visconde, no perímetro em que está sem mureta de proteção e tomada por lixo. Há 14 anos vivendo no local, ela disse que o desrespeito é constante.
“O lixo vem dos carroceiros, dos restaurantes que jogam resto de comida, pessoas de carro, os entulhos vêm de todos os lugares. Eles não deixam na porta de suas casas e simplesmente depositam no canal. Quando vamos reclamar, as pessoas ainda ficam com raiva. Não tem hora para isso acontecer. A falta de proteção também é um risco para as crianças”, contou.
A reportagem ainda flagrou um homem jogando às margens do córrego uma estrutura de uma cama box. “Como você vê, não tem hora. Eles jogam os entulhos à luz do dia, sem nenhuma vergonha. Aqui deveria ficar um fiscal, alguém que impedisse que as pessoas jogassem as coisas. Até resto de caranguejo encontramos aqui. O fedor é insuportável”, argumentou a professora.
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(Diário do Pará)
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