Na esquina da rua Raimundo Nonato com a rua Santa Fé, no bairro do Icuí, em Ananindeua, uma placa da prefeitura informa sobre a implantação de galerias de águas pluviais, terraplenagem e pavimentação asfáltica nas passagens Amelio Tavares, Raimundo Nonato, Ramos, Gerson Monteiro e Santa Fé. De todas as ruas citadas, porém, apenas a última está asfaltada.
A obra tem orçamento de R$ 1. 490. 539. 87, datada para iniciar em 30 de junho de 2014 e ser entregue em 180 dias. O prazo terminou semana passada e os moradores continuam tendo que conviver com lama, muito mato e sem nenhum tipo de saneamento básico.
A situação mais crítica é a na Amelio Tavares. O mato tomou conta da frente das casas dos moradores, a ponto de impedir que as pessoas transitem pela via. O morador André Anjos, 44 anos, denuncia que há cerca de um ano nenhum funcionário da prefeitura foi retirar o mato.
“O Pioneiro deu a palavra dele pessoalmente para mim que asfaltaria a rua. Na placa tem o resumo da obra. Metade do dinheiro usaram para asfaltar a Santa Fé, mas e o restante?’’, questiona o morador. Ele diz que, quando chove, enche tudo, o que atrai animais.
“Aqui a gente já encontrou escorpião, cobra, cachorro morto. Aqui fica tudo alagado. Tem poça de água com sapo. O pessoal da dengue vem e quer entra em casa. Eles têm que vir é aqui na rua’’, enfatiza André.
Para pegar o ônibus, os moradores precisam dar a volta pelo quarteirão para chegar à via principal. “A gente está abandonado. Aqui está desvalorizado’’, diz André.
Depois de muita chuva, Agnaldo de Jesus, 30 anos, relata que precisa fazer malabarismo para sair de casa à noite. Ele coloca pedaços de pau e sobe na calçada para não ficar atolado em meio à lama e o mato. “À noite saio de sapato limpinho e quando chego no asfalto está todo sujo”.
Outro problema enfrentado pelos moradores é a insegurança. “Eles (assaltantes) roubam na Santa Maria e correm para fugir por aqui, não tem como o carro da polícia entrar’’, relata André.
O pedreiro Ricardo de Holanda, 42 anos, vive totalmente descrente da possibilidade de um dia ter a rua asfaltada. “Eu vou morrer e não vou ver asfalto aqui’’, diz. A prefeitura de Ananindeua não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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