Índios da aldeia Hitarry Suruí ocuparam a sede da Fundação Nacional dos Índios (Funai), em Marabá, sudeste do Pará, na tarde desta quinta-feira (8).
Homens, mulheres e crianças da etnia, todos com as caras pintadas e com tacapes nas mãos, protestavam contra a prisão do cacique Elton Suruí, em novembro do ano passado, pela Polícia Federal. Ele foi mantido em uma cela durante 35 dias. Na época, pesavam contra o jovem cacique diversos crimes, entre eles invasão, cárcere privado de servidor federal, dano ao patrimônio público da União, furto de viaturas da Funai, extorsão a motoristas de vans, entre outros.
Os indígenas acreditam que as denúncias para posterior prisão de Elton Suruí partiram de funcionários da empresa Coopasul. Segundo os Suruí, dias antes da prisão do cacique ocorreu um desentendimento com motoristas de vans que fazem transportes de passageiros de Marabá para o estado do Tocantins, trafegando no meio das terras indígenas.
Esse trajeto é comum e tem permissão dos índios por causa de um acordo firmado entre as partes e de forma amigável. Mas o atrito teria sido o início de uma briga judicial que manteve preso o líder indígena. “Nós acreditamos fielmente que os funcionários da empresa Coopasul foram os responsáveis pela prisão de nosso líder. Agora eles vão ter que nos indenizar por danos morais e materiais se quiserem trafegar por nossas terras que ficam às margens da BR-153”, garantiu Clelton Suruí, que permanece como chefe interino na aldeia.
Após uma reunião, os indígenas fizeram uma proposta de indenização, acompanhados do advogado, Sandro Leal. Eles querem firmar um acordo para que as vans possam continuar realizando o trajeto, que já é feito há 13 anos.
Ao final, ficou acertado um novo encontro para a próxima segunda-feira (12) com a presença de diretores da Coopasul, Funai, Ministério Público Federal e a comunidade Hitarry Suruí. “Caso não consigamos avançar nessa próxima reunião, na terça-feira (13) nenhuma van da empresa Coopasul poderá passar por nossas terras. Serão obrigadas a retornar para Marabá”, garantiu o líder indígena.
(DOL com informações de Weliton Moreira/Diário do Pará)
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