O Ministério Público do Pará (MPPA), por meio do promotor de Justiça militar Armando Brasil Teixeira, instaurou ontem processo investigatório criminal contra policiais militares cedidos para a Secretaria Municipal de Transporte de Ananindeua (Semutran), que, armados, direcionaram ameaças a André Luís Pires Margalho e Blenda Calderaro Margalho, sócios da empresa Abcomp.
O promotor também determinou que seja solicitada ao prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, a apresentação do coronel Marco Antônio Souza Machado, atual secretário municipal de Transporte do município, e que este apresente o soldado da Polícia Militar Leonardo Machado Santos e o cabo PM Anderson. Brasil informou que a investigação criminal transcorrerá sob sigilo.
Uma gravação com mais de 30 minutos foi entregue ao promotor militar pelas vítimas das ameaças. Segundo Brasil, constatou-se “inviável ou, no mínimo, não recomendável a instauração de inquérito policial militar pela corregedoria da Polícia Militar”. Por esse motivo, a promotoria resolveu instaurar o processo investigatório Criminal, com base no Código de Processo Penal Militar, que autoriza o Ministério Público a oferecer denúncia com base em peças de informação. A promotoria tem autonomia para agir independentemente do que for apurado pela corregedoria da PM.
André e Blenda estiveram também na corregedoria da PM, onde prestaram depoimento ao major Gabriel, narrando as ameaças que sofreram do soldado e do coronel Machado. A corregedoria deve ouvir na quinta e sexta-feira da próxima semana as testemunhas do caso. No último domingo, 04, o DIÁRIO divulgou em ampla reportagem parte dos documentos que obteve, além de gravações e fotografias, sobre as ameaças contra o casal de empresários.
SEMUTRAN
Além de ter sido jurado de morte pelo soldado Leonardo Machado, sobrinho do coronel Machado, dentro do gabinete do tio, no prédio da Semutran, o empresário André Luís Margalho ainda foi vítima de um atentado, mas escapou da morte porque não estava dentro do veículo no momento em que dois homens em uma motocicleta cercaram o veículo, tendo um deles disparado dois tiros contra a porta do lado do motorista.
Apesar de blindado, o veículo sofreu avarias, conforme laudo divulgado pelo Instituto “Renato Chaves”. Sorte de André Margalho, que no momento dos tiros contra seu veículo estava em frente ao local onde ele estava estacionado, comprando comida em um restaurante de Ananindeua. Os dois homens fugiram do local, mas foram vistos por testemunhas, que descreveram suas características físicas.
As ameaças e perseguições contra os empresários foram motivadas pela descoberta de diversas irregularidades na Semutran, durante a gestão do coronel Machado. O órgão é responsável pela prestação de contas dos recursos oriundos de arrecadações dos transportes do município, cujo montante alcança R$ 5 milhões mensais.
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(Diário do Pará)
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