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Belém vai deixando de ser Cidade das Mangueiras

O engenheiro agrônomo e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) Sérgio Brazão e Silva, pesquisador na área de arborização na cidade, ressalta que o título de Cidade das Mangueiras foi dado à Belém há décadas, antes do período de 1960, q

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O engenheiro agrônomo e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) Sérgio Brazão e Silva, pesquisador na área de arborização na cidade, ressalta que o título de Cidade das Mangueiras foi dado à Belém há décadas, antes do período de 1960, quando a capital paraense registrou uma aceleração em sua ocupação.

O crescimento não foi acompanhado do plantio de espécies de mangueira.

Estudo realizado por ele constatou que as mangueiras representam a quarta espécie de árvore que mais predomina em Belém, ficando atrás das espécies Fícus, Oitizeiro e Castanhola. Sendo que a maior parte dos Fícus foi plantada pela própria população, sem ter levado em consideração se as características do vegetal são adequadas para as vias e calçadas onde foram plantadas.

Tomar este cuidado com as especificidades é o principal critério para um projeto de arborização. Neste sentido, a cidade de Belém passa a contar com um vasto leque de opções de árvores que podem ser plantadas. “A escolha das espécies obedece à avaliação do ambiente, onde se observam tamanho da calçada, espaço aéreo para desenvolvimento da copa, doenças existentes na região, tipo de solo, fertilidade, profundidade, presença de impedimento no solo, adaptação da espécie ao clima e outros aspectos”, destaca o engenheiro agrônomo.

OITIZEIROS

Questionado sobre um exemplo de espécie que é adequado ao espaço urbano de Belém, o pesquisador aponta o oitizeiro – espécie encontrada em grande quantidade ao longo da avenida Doutor Freitas. “O Oitizeiro [Licania tomentosa] tem demonstrado excelentes características, como não quebrar calçadas, apresentar fuste vertical, resistente e com copa frondosa, resistência à poda feita de forma inadequada e também por apresentar resistência às pragas e doenças”, explica.

SEM MANGUEIRAS

Sobre as mangueiras existentes do plantio iniciado por Antônio Lemos, o engenheiro agrônomo chama atenção para a idade delas. “São idosas e deverão morrer em período não calculado, mas em breve. Na floresta, as árvores caem e sua decomposição auxilia o desenvolvimento de outros espécimes existentes na floresta. Na cidade, este processo é evitado e até abreviado, sendo retiradas as árvores que apresentam risco de queda. Neste aspecto, é justo afirmar que, mesmo plantando novas mudas de mangueiras, a aparência da cidade vai se alterar”, alerta Sérgio.

Ele recomenda que, se os moradores querem que a cidade mantenha o título de “Cidade das Mangueiras”, deverão plantar mudas de mangueiras onde foram realizadas as retiradas e promover a expansão da área plantada de mangueiras. Esta expansão deverá, entretanto, ser realizada em locais que permitam o crescimento do vegetal.

(Diário do Pará)

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