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Marcas: revoltas e o apogeu com Lemos

Em seus 399 anos de história, Belém já experimentou lutas políticas memoráveis pelo poder, opulência e decadência econômica, além de tenaz resistência a doenças como febre amarela, cólera e gripe espanhola. Quando o capitão português Francisco Caldeira C

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Em seus 399 anos de história, Belém já experimentou lutas políticas memoráveis pelo poder, opulência e decadência econômica, além de tenaz resistência a doenças como febre amarela, cólera e gripe espanhola.

Quando o capitão português Francisco Caldeira Castelo Branco fundou a cidade - em cujos arredores viviam os índios tupinambás -, no dia 12 de janeiro de 1616, a intenção da Coroa Portuguesa era defender o território contra invasores franceses, ingleses e holandeses. Castelo Branco, como primeira providência, construiu o Forte do Presépio, atual Forte do Castelo.

Era um símbolo militar de resistência da cidade e um alerta a qualquer aventureiro que tentasse conquistá-la.O episódio que mais marcou a capital paraense foi, sem dúvida, a Cabanagem, uma revolução popular ocorrida entre 1835 e 1840.

Os caboclos e ribeirinhos viviam sob péssimas condições de vida e, sentindo-se abandonados pelo governo da Regência - que só tinha olhos para as regiões sul e sudeste do país -, uniram-se a comerciantes e fazendeiros, também descontentes com a administração do governador da província, Bernardo Lobo de Sousa, decidiram invadir Belém.

Após intensos combates pelas ruas, os cabanos conseguiram depor o governador, que foi executado.O fazendeiro Félix Clemente Malcher e o lavrador Francisco Vinagre, líder das tropas cabanas, instalaram um novo governo, com Malcher no comando. Após divergências com o governador, Vinagre tentou depor Malcher, mas falhou e foi preso.

O revide veio de Antônio Vinagre, irmão de Francisco. Ele assassinou o governador e colocou no poder o irmão, Francisco. As divergências dentro do governo eram claras e isso ficou ainda mais evidente com a ascensão no meio cabano de Eduardo Francisco Nogueira, apelidado Eduardo “Angelim”, por ser este tipo de madeira muito resistente na Amazônia.

Angelim, com apenas 19 anos, era contra a política do governo central então vigente no Pará, não distinguindo-a da dominação portuguesa. Para ele, o melhor seria a autonomia da província do Grão-Pará e sua separação do império brasileiro.

Os comerciantes e membros da elite paraense que no começo apoiaram a revolução popular começaram a abandoná-la. As autoridades do império perceberam a fragilidade do governo, apostando num aliado estrangeiro, o almirante britânico John Taylor, que conseguiu retomar o controle da capital.Os cabanos, sob a liderança de Angelim, repudiaram a vitória de Taylor e com um exército de 3 mil homens conseguiram tomar de volta o poder, proclamando um governo independente.

Isolado, sem recursos e sem o apoio de outras províncias do país, além de enfraquecido por diversas investidas militares do império, o governo de Angelim sucumbiu. A revolução cabana deixou um saldo de 30 mil mortos em combates.

O APOGEU

A economia da capital, nesses 399 anos, passou por períodos que variaram entre a prosperidade e a decadência. A prosperidade, no século XVIII, coincidiu com o ciclo agrícola das grandes lavouras de café, cana-de-açúcar, tabaco e cacau.

As fazendas de gado também contribuíram para esse impulso econômico, ocorrido entre 1800 e 1840. Com a Cabanagem, as terras onde essas lavouras eram cultivadas foram destruídas.

Muitos colonos preferiram pegar em armas, na expectativa de que suas vidas iam melhorar se o governo valorizasse mais o homem do campo. Para piorar as coisas, o preço do cacau despencou no mercado mundial.

O fim do século XIX, com a produção e exportação do látex na Amazônia, fez de Belém o centro da atenção do mercado internacional. Foi o período da chamada Belle-Époque, com seus traços artísticos do Art Nouveau, o que atraiu para a capital grandes bancos, uma bolsa de valores, grandes lojas e empresas de comércio. O Pará era o segundo Estado mais rico em divisas do país e a economia nacional tinha seu forte no comércio da borracha.

Foram 30 anos de intensa vitalidade econômica, entre 1880 e 1910, com a construção de obras como o Theatro da Paz. O declínio começou quando o inglês Henry Wickham levou escondidas sementes da Hévea brasiliensis (nome científico da seringueira) para a Malásia e na Ásia a produção de borracha explodiu no mercado internacional, desbancando o Pará e a Amazônia. Belém murchou.

O MELHOR

Mas a cidade, nessa época, teve como gestor aquele que seria o melhor prefeito de todos os tempos, segundo historiadores: Antônio Lemos. A denominação prefeito ainda não existia na nomenclatura municipal e Lemos era chamado de intendente.

Belém experimentou a modernidade. Foi a primeira capital do país a implantar o sistema de bondes, além de abrir extensas e largas avenidas para grandes construções e bulevares. Praças ajardinadas, prédios de administração, escolas, asilos, telégrafos, telefonia e a estrada de ferro Belém-Bragança.

“Ele teve uma estratégia de embelezamento da cidade, de higienização e uma política de arborização da cidade”, explica o historiador Aldrin Figueiredo.

A Lemos deve ser creditada parte das honras de uma cidade que em 2016 completará 400 anos. Lemos já faz parte dessa história. Ao contrário de muitos gestores que apenas sentaram na cadeira de prefeito.

(Diário do Pará)

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