A morte do bombeiro Martinho Costa no último domingo (11), durante o atendimento a uma vítima de afogamento, levantou questionamentos sobre os riscos e condições de trabalho enfrentadas pelos membros da corporação. Colegas da vítima afirmam que a morte do bombeiro foi causada por diversos fatores que poderiam ter sido evitados através de pequenas medidas.
“O Martinho estava de serviço na praia do Maraú, trabalhando com dupla dele, de forma regular. No horário de almoço, ele foi até a praia do Paraíso para verificar a movimentação e identificar uma possível necessidade de fazer transferência da vigilância para a outra praia. Neste momento que ocorreu o incidente”, afirmou o Sargento Aelton, representante do Movimento de Praças e Soldados do Pará.
“O problema principal nesse caso é a falta de efetivo. Mosqueiro tem 12 praias, mas a corporação só tem efetivo para realizar a segurança de quatro delas a cada fim de semana. Aí são priorizadas as com maior movimentação”, continuou. “Se houvesse maior número de agentes, a praia estaria sendo vigiada, não haveria necessidade do Martinho ir até lá e nada teria ocorrido”.
Atualmente, o Corpo de Bombeiros conta com pouco menos de 3 mil agentes, número insuficiente na visão do sargento. “A falta de pessoal é uma realidade em todos os balneários, como Salinópolis e Outeiro. Muitos agentes deixam a corporação ou vão para a reserva, sem a devida reposição dos postos de trabalho. Precisaria da entrada de pelo menos 1 mil novos agentes na corporação. Mesmo assim, não temos concurso desde 2008.”, afirmou.
Na visão do bombeiro, outro problema que resultou na morte de Martinho foi a carência de equipamentos. “As ambulâncias que atenderam a ocorrência, tanto dos bombeiros quando do Samu, não possuíam o equipamento desfibrilador, que poderia ter salvo ele”, disse. “Essa deficiência se estende à jet skis, botes salva-vidas e pranchas de resgate, que são usadas em operações de veraneio, mas estragam e não podem ser utilizadas o resto do ano. O resgate fica dependendo únicamente da condição física, cansaço e esforço do bombeiro”.
“O cabo Martinho era um profissional experiente, com 21 anos de trabalho. O que ocorreu foi uma fatalidade, mas que poderia ter sido evitada sem dúvidas”, afirmou. “Os bombeiros não são renovados, trabalham sobrecarregados e sem efetivo para atender toda a demanda do Estado”.
O sargento ainda afirmou que um processo administrativo deverá ser aberto na corporação para investigar o caso.
(Gustavo Dutra/DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar