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Reajuste de mensalidade escolar gera impasse

A volta às aulas já começou em várias escolas particulares em Belém e ainda não foi definido o reajuste das mensalidades. Na manhã de ontem, os empresários da educação se reuniram na sede do Procon, em Belém, com representantes de várias entidades de clas

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A volta às aulas já começou em várias escolas particulares em Belém e ainda não foi definido o reajuste das mensalidades. Na manhã de ontem, os empresários da educação se reuniram na sede do Procon, em Belém, com representantes de várias entidades de classe para discutir o assunto. Porém, após de quase duas horas de discussão, nenhuma sugestão foi aceita.

A proposta inicial do Sindicato das Escolas Particulares do Estado do Pará é que, em 2015, as mensalidades tenham um reajuste de 2% acima da inflação nacional, que foi estipulada pelo governo federal em 6.23%. A justificativa para este aumento está atrelado às despesas de pessoal, incluindo os salários de professores, as exigências feitas pelo MEC na infraestrutura, como equipar as bibliotecas, colocar elevadores, além da manutenção mensal, com energia elétrica, que também teve um aumento significativo em 2014 e 2015.

“Nós precisamos de recursos para fazer ajustes legais nas instituições. Logo, vamos ter que sentar com os professores para reajustar os salários. Temos que equipar as escolas e arcar com despesas enormes todos os meses. É isso que os pais, responsáveis e alunos precisam entender. Necessitamos de melhorias na educação e, para isso, na qualidade das escolas”, explicou Ronald Andrade, representante do Sindicato das Escolas.

DISCORDÂNCIA

Por outro lado, a Ordem dos Advogados - OAB, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos no Pará - Dieese-PA e o Procon e os representantes dos Sindicatos dos Estudantes não aceitam o valor estipulado pelas instituições.

“Os acordos no passar de 20 anos seguem a inflação como a principal regra. São poucas as escolas que não aceitam. No ano passado, o reajuste foi acima de 1% da inflação, e isso foi o máximo de aumento. Os pais dos alunos têm os salários ajustados de acordo com a inflação nacional, as mensalidades não podem ficar acima disso. Não são apenas as escolas que aumentam. Há outras despesas. Então, 2% é inviável e não vamos aceitar a proposta deles. Estão alegando que a inflação terá um aumento nos próximos meses, mas os salários, não”, disse Roberto Sena, diretor do Dieese-Pa.

PROPOSTA INVIÁVEL

Os representantes da OAB também não fecharam o acordo, alegando que a proposta não é viável. “Se as escolas falam dos custos, elas precisam primeiramente fazer uma planilha mostrando o que de fato foi gasto para poder pedir o aumento. Todos os anos, a justificativa de ser acima da inflação foi de que era necessário fazer mais investimentos. Mas o viável é que as escolas cheguem ao Procon e apresentem todos os custos. Só que não recebemos”, ressaltou Lilian Leal.

Durante a reunião, estudantes de diversas instituições particulares estavam na porta do Procon em ato de manifestação para pressionar que os preços das mensalidades fiquem congelados.

“Estão tratando a educação como se fosse uma mercadoria. As escolas e faculdades só visam o lucro e não pensam na qualidade do profissional que querem formar. As instituições só fazem expandir, se unir com multinacionais, comprar mais prédios, e colocar mais cursos. Isso não é investimento para o aluno, e sim para a empresa” desabafa o universitário Rafael Reis.

Em contraproposta, os empresários pediram o reajuste de 1,7%, porém o valor também não foi aceito pelas entidades. Durante o debate, foi dito que um valor menor que este é completamente inviável e que não vão reduzir mais do que a última proposta.

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(Diário do Pará)

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