As praças públicas do centro de Belém estão em estado de abandono e se torna cada vez mais difícil o uso destes espaços para o lazer. A avenida Marechal Hermes contempla em seus quase três quilômetros de extensão, cinco praças públicas. Uma delas recebeu o nome de Praça Magalhães ainda na década de 20, apesar de não haver qualquer placa que a identifique assim.
O espaço é pequeno e serve de moradia para moradores de rua. O único coreto de ferro da praça já está deteriorado, o teto em madeira está caindo aos pedaços. Embaixo do coreto havia um banheiro que depois foi desativado.
Com o fechamento, os “moradores do coreto” quebraram uma das janelas da parte de trás, onde há menos movimentação de carros para continuar utilizando o espaço. Dentro do local o mau cheiro e o lixo tomam conta. Nos cantos da praça, o lixo e peças de roupas também estão acumulados.
Próximo dali, a praça em homenagem ao compositor e maestro paraense, Waldemar Henrique também está em situação de abandono. No local, a reportagem flagrou pessoas usando drogas pela manhã.
A arquibancada está deteriorada e também serve de abrigo para moradores de rua. No local há peças de roupas usadas, dejetos, preservativos e diversas baterias de aparelhos celulares.A enorme parede onde fica o rosto do homenageado está completamente pichada, assim como a concha acústica, desenvolvida para projetos musicais e teatrais.
Para o dono de um box de vendas de lanches que fica por trás da praça e perto de uma parada de ônibus, o local somente é usado no período da quadra junina, enquanto que no restante dos meses, fica ocioso e inda mais inseguro.
“Caiu muito a minha venda aqui por conta do baixo movimento antes e depois da quadra junina. Antes eram 32 pessoas trabalhando em cada box desse, hoje se tiver 6 já é muito porque é perigoso aqui. Parei de trabalhar durante a noite”, contou o vendedor que pediu para não ser identificado.
Atravessando a rua Frei Gil, a Praça do Escoteiro está sem gramado. No monumento em homenagem aos Escoteiros do Brasil, é possível perceber que uma placa que ficava na pedra foi removida, restando apenas a maior, com o Brasão de Armas do Brasil. Para quem transita ali diariamente não existe hora para sentir a insegurança.
“Entre 12h e 15h é meio perigoso. Aqui tem uns moradores de rua que bebem e usam drogas. Não é só eu, meus amigos também têm medo de passar por aqui. Acho que deveria ter um box fixo de policiais e guardas municipais”, disse a estudante Elaine Thainá Costa.
Na Praça dos Estivadores, localizada em frente à Estação das Docas - um dos principais pontos turísticos de Belém-, o obelisco em homenagem a marcos históricos, como 1º Congresso de Pescadores do Pará (1925); Libertação dos Cativos (1919) e Adesão do Pará (1823) também padece de atenção. O obelisco era protegido por correntes, que não existem mais. No espaço há vários dejetos humanos e restos de peças de roupas íntimas. Os bancos da praça estão sem assento.
MAQUIAGEM
Segundo o guardador de carros Jones da Silva, para maquiar a praça para o aniversário de Belém, a prefeitura realizou um serviço de pintura do meio fio.
“É uma praça muito bonita. Há uns seis anos era tudo limpinho, bonitinho e agora é assim. Esses bancos foram se quebrando, só não levaram o ferro porque é fincado no cimento. Ali o monumento era cercado por correntes e também levaram, quebraram a boca dos peixes pra levar a corrente. E pro aniversário de Belém vieram aqui e jogaram um cal nos canteiros”. Ainda segundo ele, a praça necessita da presença da Guarda Municipal.
“Aqui não tem um Guarda Municipal para dar conta dos vândalos e a gente não pode fazer nada para impedir, a minha autoridade é cuidar de carro”.
Ainda na Praça dos Estivadores há um monumento de ferro com um chão circular. Ao redor tem uma estrutura funda de lajotas azuis.
Dá-se a entender que ali deveriam ocorrer jatos de água como decoração, enquanto que na realidade, o espaço serve de dormitório para moradores de rua.
LEIA AINDA:
Insegurança e bancos quebrados
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar