Após oito dias de luta por um leito em uma Unidade de Terapia Intensiva pediátrica (UTI), e três dias internada na Santa Casa, Tayla Yorrana Santos da Silva Silva, de três meses de vida, a qual a avó materna apelou a uma rede social para conseguir um leito, morreu na tarde da última quarta-feira, 14.
De acordo com os familiares, o principal motivo da morte foi a demora pela assistência adequada.A dona de casa Mara Santos fez o apelo na noite do último domingo, 11, e marcou a página oficial do governador do Estado, Simão Jatene.
No texto, ela pedia por um leito em uma UTI pediátrica, para sua neta, que foi diagnosticada com bronqueolite, uma infecção infantil, em que ocorre o inchaço e acúmulo de muco nos bronquíolos, e precisava com urgência ser encaminhada a Terapia Intensiva.
O apelo ganhou visibilidade na internet através dos compartilhamentos e curtidas de milhares de pessoas. E, na manhã da última segunda-feira, 12, a criança foi remanejada da clínica pediatra Pio XII, para a UTI na Santa Casa.
“Ás 8h ela já estava internada, e a médica deu todo o atendimento necessário, só que o leito chegou tarde demais”, explicou a dona de casa Mara Santos.
LEITO
De acordo com os familiares, o leito foi articulado por uma médica da Santa Casa, através de um pedido da mãe da criança. “Depois que eu fiz a postagem, várias pessoas apareceram dizendo que elas conseguiram o leito para minha neta. Mas, a verdade é que a minha filha foi em vários hospitais para procurar. Quando ela chegou à Santa Casa, pediu para falar com a pessoa responsável pela UTI. Ela explicou a situação. Quando foi no domingo de tarde, uma criança que estava lá morreu, e aí, ela mandou arrumar a cama para a bebê do Pio XII, que era minha neta”, disse Mara. Mesmo no leito e recebendo o atendimento necessário, o quadro clínico da criança complicou.
“Às 16h30 a pediatra veio e pediu para que nós saíssemos do quarto que eles iriam fazer um procedimento nela. Ficamos aguardando do lado de fora. Depois vimos uma correria, e fecharam a ala para visita. A médica, junto com a assistente social e a psicóloga nos chamaram na sala, e explicaram que estava acontecendo, e o pai da minha neta interrompeu e perguntou se ela havia morrido, e a médica respondeu que sim”, lamentou.
Revoltada com a situação, Mara reclama do descaso da saúde no Pará. “Ela morreu pela demora do leito, e isso, é inadmissível. Tivemos que recorrer a vários locais e a pessoas para que fosse internada, e só depois de oito dias que ela conseguiu um. A médica disse que ela aderiu com o tempo uma pneumonia e o pulmão não resistiu”, falou a dona de casa.
A criança foi internada na Clínica Pediatra Pio XII, conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS), desde o dia 3 de janeiro. A princípio ela estava gripada. Mas, ao chegar o diagnóstico os médicos pediram para que ela fosse encaminha à UTI. Ela nasceu no dia 13 de outubro, prematura de oito meses e com baixo peso. Porém, ao passar um tempo na incubadora, ela foi para casa com a saúde recuperada.
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(Diário do Pará)
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