A comerciária Catarina de Paula Cardoso, 32 anos, possui um filho de dois anos e durante todo o ano de 2014 tentou conseguir uma vaga numa creche na Pedreira, bairro onde mora.
“Desde o final de 2013 tentei conseguir essa vaga mas até agora nada. Vou começar o ano de 2015 na mesma situação. Fui na unidade e a desculpa é sempre a mesma: não tem vagas e mandam a gente esperar”, lamenta.
A situação de Catarina chega a ser desesperadora: mãe solteira de dois filhos, ela deixa a pequena S. de apenas um ano e nove meses com seu primeiro filho, F. de apenas 10 anos, para poder trabalhar. Uma vizinha recebe R$ 100 mensais para dar um suporte às duas crianças enquanto a mãe está fora.
“Trabalho numa loja no centro de Belém e preciso chegar às 8h lá. Deixo eles de café tomado e com o almoço pronto e eles se viram lá com a ajuda da minha vizinha aposentada que sempre dá uma olhada neles. Eles vivem trancados.
Só chego em casa por volta das 19h e algumas vezes já cheguei e achei os dois na rua brincando. Fico sempre com o coração na mão, mas fazer o quê? Preciso trabalhar para sustentá-los...
”O caso de Catarina é igual ao de milhares de outras mães que lutam para conseguir uma educação Infantil de qualidade para seus filhos na capital. Pelos últimos dados oficiais divulgados estima-se que até 2011 pelo menos 75 mil crianças de 0 a 3 anos em Belém não tinham acesso a creches e outras 16 mil entre 4 e 5 anos estariam fora de estabelecimentos públicos com ensino pré-escolar.
Em nota a Secretaria Municipal de Educação (Semec) informou ter realizado em outubro passado a Chamada Pública da Educação infantil, na qual convidou pais e responsáveis a cadastrar as crianças desta faixa etária, que não se encontravam matriculadas em uma unidade de ensino. “O resultado foi de 6.064 crianças cadastradas, sendo que destas a Semec já matriculou 1. 500 para o ano letivo de 2015”.
(Diário do Pará)
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