Por conta da idade, o vigilante Raimundo Souza, 66, já planeja largar a profissão: quer deixar o filho em seu lugar. “Eu vou me aposentar em breve e meu filho vai ficar no meu lugar. A profissão chegou até a se tornar um hobbie pra mim. Já trabalhei com muita coisas, mas sempre trabalhei a noite por aqui. Temos muitos clientes e alguém precisa atendê-los”, finalizou.
O filho dele, Nay Costa de Souza, de 42 anos, largou a profissão de marceneiro para fazer parte da equipe do pai durante a madrugada. Ele contou que já está há dois no ramo.
“Eu comecei a trabalhar aqui por influência do meu pai. Temos muitos clientes e como ele já vai se aposentar alguém tem que assumir”, alegou. Na Travessa Mariz e Barros com o Canal Visconde de Inhaúma, considerada como “área vermelha” pela polícia, Raimundo Ferreira da Silva, de 64 anos, conhecido como “Miranda”, falou ao DIÁRIO que trabalha há oito anos na profissão e que lida muitas vezes com usuário de drogas.
“Tenho trinta clientes e nas casas deles tem as plaquinhas colocadas na frente. Hoje nós lidamos mais com viciados em drogas aqui nessa área. O ladrão da noite é mais o usuário de drogas. Quando eu vejo alguma situação suspeita eu ligo logo pra polícia e eles sempre vêm”.
De acordo com ele, apesar de ter os clientes certos, “Miranda” não deixa de dar um apoio às demais residências. “Nós estamos todos os dias por aqui, de meia-noite até às 5h30. Se alguém chegar um pouco tarde do trabalho ou da escola eu vou e dou cobertura. Mesmo os que não são nossos clientes nós ajudamos”, disse.Assim como o Raimundo de Val-de-Cans, “Miranda” vai largar a profissão e deixar os clientes na responsabilidade do filho.
“Eu já vou me aposentar. Mês que vem, em fevereiro, vou parar e, meu filho vai ficar no meu lugar”, planeja.
VIGILÂNCIA GARANTIDA
Para quem paga, o serviço é valido, mas tudo seria melhor se a Polícia Militar fosse mais presente. É o que diz o comerciante Edilson Lobato, de 48 anos, morador do Conjunto Providência.
“Eu sou cliente de vigilantes noturnos há dez anos. No meu ponto de vista, o trabalho deles é importante. O policiamento aqui não é suficiente. Então, quando eles [vigilantes] estão por perto, impedem os arrombamentos nos nossos estabelecimentos. Se a PM desse maior apoio seria melhor”, afirmou.
A população espera na ajuda de vigilantes noturnos um pouco da segurança que não possuem com seguranças particulares e veículos blindados, por exemplo.
Por preços módicos, os clientes conseguem, enquanto dormem, um apoio e olhos abertos durante a madrugada - ou pelo menos, conseguem reduzir o medo da violência entrar em suas casas.
(Diário do Pará)
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