O candidato peemedebista à Presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, cumpriu ontem em Belém uma série de compromissos de campanha e reafirmou que pretende fazer uma gestão que dê independência à Casa em relação ao governo.
“Não será uma Câmara submissa ao governo, mas também não fará um terceiro turno eleitoral como poderia com um candidato da oposição. Queremos o equilíbrio. Que o parlamento seja altivo e que possa se comportar com independência”, disse pouco antes de reunir a bancada federal do Pará para um almoço em Belém.
Eduardo Cunha desembarcou na cidade na noite de domingo e foi recepcionado pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho e pelo deputado José Priante. Ontem, se reuniu com prefeito de Belém Zenaldo Coutinho, com o governador Simão Jatene e almoçou com deputados.
“Deixei o Pará por último como uma deferência ao Estado. Aqui estou fazendo o encerramento dos processos. Conversamos com os governadores, prefeitos de capitais. Entramos em um processo que é muito mais amplo que pedir votos”.
A eleição para a presidência da Câmara será no dia 1º de fevereiro, quando tomam posse os novos 513 parlamentares e haverá a escolha da nova Mesa Diretora que comandará a Câmara e o Senado para um mandato de dois anos.
Cunha tem como adversários o deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), que já presidiu a Câmara entre 2007 e 2009, e Júlio Delgado (PSB), que concorreu em 2013, mas foi derrotado pelo atual presidente Henrique Alves (PMDB).
Os petistas lançaram Chinaglia alegando que deveria haver um rodízio entre os dois principais partidos da base aliada. Cunha alega, contudo, que como Alves não concorreu à reeleição, caberia ao PMDB apresentar candidato. Ele diz ainda que a nova correlação de forças na casa levaram ao lançamento da candidatura.
“A candidatura (do PMDB) foi resultado de um processo político. A Câmara atual é muito mais pulverizada e a Casa não quer hegemonia política de quem não teve hegemonia eleitoral”, diz, referindo-se ao PT.
Cunha tem apoio da bancada do PMDB e tem aparecido como favorito, mas enfrenta forte resistência do Planalto. Apesar disso, o deputado diz que o processo eleitoral para a presidência da Casa pode transcorrer sem fissuras na base, mas desde que o governo se mantenha equidistante. “Se jogar a máquina pública para interferir pode esfacelar a base aliada”, alerta.
O deputado se reuniu em Belém com deputados de vários partidos. Entre os presentes ao almoço, estavam os deputados reeleitos José Priante e Elcione Barbalho e a deputada eleita Simone Morgado, todos do PMDB.
“Ele é determinado e com vontade de vencer e de fazer acima de tudo. Como líder da bancada tem nos representado à altura, respeitando o parlamento, não deixando que o Executivo interfira de forma exagerada”, disse Elcione.
(Diário do Pará)
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