Os deputados da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) apresentaram nesta sexta-feira (30), junto ao relatório final da CPI das Milícias, uma série de recomendações a serem tomadas para combater a ação de grupos de extermínio no Estado. Entre as medidas, estão o combate direto aos grupos e maior fiscalização dos policiais envolvidos nas quadrilhas.
De acordo com o relatório, diversos grupos de extermínio atuam em todo o Estado, com pelo menos três deles concentrados na Região Metropolitana de Belém, contando com a participação de policiais militares e sendo financiados por atividades criminosas, como roubo e tráfico de drogas.

(arte: DOL)
“Os desafios são enormes na questão da Segurança Pública, e o combate a violência não deve ser apenas repressão, mas também prevenção, através de políticas sociais”, afirmou o deputado Edmilson Rodrigues, do PSol, autor da CPI. “Existem policiais que são como tumores cancerígenos, uma minoria que fica enlameando a corporação, formada em sua maioria por profissionais dignos”.
Entre as resoluções apresentadas pela CPI, se destacam a ocupação dos territórios ocupados pela milícia, maior autonomia para a corregedoria da PM e inclusão de grupos de extermínio na lei de crimes hediondos, além da liberação das informações sobre os homicídios ocorridos na chacina do dia 4 de novembro de 2014.
O deputado ainda aproveitou a sessão para propor a criação de um seminário entre movimentos sociais, governo e sociedade civil, para propor um Sistema Único de Segurança Pública. “Esta foi uma CPI em que o povo resolveu botar a boca no trombone para investigar seriamente esta ferida aberta na sociedade”, completou o autor da CPI.

Cerca de 100 entidades dos movimentos sociais procuraram os deputados para pedir a instauração da CPI. (Foto: JR Avelar/Rádio Clube)
A CPI
A CPI das Milícias foi instaurada na Alepa após 11 pessoas serem executadas no dia 4 de novembro. Segundo o documento, os homicídios foram uma resposta ao assassinato do cabo Pet, da PM, primeira vítima da noite e tido como líder de uma milícia atuante no Guamá.
Mais de 100 entidades procuraram a assembleia para solicitar a CPI para investigar o caso. A apuração toda durou 44 dias, pois deveria terminar antes do fim da legislatura dos atuais deputados, que acaba neste sábado (31), e resultou em um documento com mais de 220 páginas com informações sobre os crimes no Estado.
(DOL)
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