No segundo semestre do ano passado, a comunidade liderada por Francisco enfrentou a mesma situação que Nova Canaã enfrentou essa semana, mas o desfecho deles foi menos infeliz. “Veio a Tropa de Choque da Polícia Militar, mas a conversa acabou sendo boa e logo depois nós conseguimos um mandado de segurança para nos manter aqui, e há um processo correndo na Justiça que trata da compra desse terreno, por parte do Governo do Estado, para desapropriação e distribuição a quem já mora aqui. Por esse motivo nós não temos mais tanto medo hoje. É mais tranquilo do que era quando chegamos aqui, há pouco mais de um ano”, justificou ele, fazendo questão de contar à equipe de reportagem que naquele dia mesmo sairia da entrevista direto para a Companhia de Habitação (Cohab) para tratar, com a recém-empossada gestão do órgão, sobre o andamento da regularização do terreno.
O líder do Movimento Guerreiros de Deus, que sente na pele as dificuldades e complicadores das reformas agrária e urbana no Brasil, afirma entender as limitações existentes no processo, mas critica a pouca atenção das autoridades ao assunto especialmente por se tratar de uma situação que não gera qualquer retorno financeiro. “Foram dois meses pedindo atenção do Governo do Estado, na porta. E nada. Só ouvem quem tem dinheiro, quem pode dar algo em troca. E não é o nosso caso. A gente só quer casa para morar. Não precisa ser o terreno inteiro, só a parte que ocupamos. Por isso somos tão avessos a qualquer tipo de especulação imobiliárias. Quando a desapropriação acontece e o cara consegue a casa e depois vende ou aluga, isso desmerece a nossa luta”.
(Diário do Pará)
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