Mais um aumento na tarifa de energia elétrica dos brasileiros está previsto para 2015. Enquanto os usuários preparam os bolsos para o reajuste, um sistema de energia sustentável capaz de abastecer uma cidade, prova a possibilidade de gerar energia limpa de forma mais barata. O Sistema Fotovoltaico, que converte energia solar em energia elétrica, foi desenvolvido pela estudante do curso de Engenharia Industrial, Mayara Rodrigues, 23 anos, do campus Abaetetuba da Universidade Federal do Pará (UFPA).
O protótipo está em fase de testes dentro da universidade. Em frente a um dos laboratórios, o sistema recarrega a bateria de dia e ilumina à noite. “Nós colocamos em frente ao laboratório do nosso curso, um local melhor para implementar e vermos o desenvolvimento. A energia é limpa. As hidrelétricas utilizam a renovável, o que causa muitos danos pelo alagamento ou questões sociais de famílias que saem do seu espaço. A energia solar não precisa ser concentrada em um local. Cada um de nós pode produzir de forma independente’’, enfatiza a estudante.
O projeto é formado por um painel fotovoltaico de 55W, feito de silício, bateria estacionária com duração de dois dias de funcionamento sem geração de energia, controlador de carga com temporizador pré-programado e lâmpadas de LED (Diodos de Emissores de Luz) de 10 W, equivalente a 70W da lâmpada convencional. Segundo a aluna, o material foi adquirido pela internet.
Com um design diferenciado, criado no AutoCaD 3D pela própria estudante, o projeto de tornou tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O desejo dela é dar continuidade. “A intenção não é engavetar o projeto. Tivemos a ideia, apresentamos e pronto acabou. Não. A gente objetiva apresentar a sociedade, dar continuidade para produzir o produto, ou então desenvolver novos produtos. Esse nosso protótipo é mais indicado a praças ou em vias com pouco tráfego’’.
RETORNOS
O projeto inicial surgiu em 2009, durante o doutorado em Portugal do professor orientador Marcos Leite. Ele observou em vários lugares o sistema de energia solar natural e decidiu trazer para Belém. “Na Europa a energia fotovoltaica está bastante difundida, quando eu estive em Coimbra observei que os semáforos eram alimentados por placas solares’’.
Para ele, o lado financeiro é um dos diferenciais do projeto e o Brasil tem condições de investir em geração de energia limpa. “Tornamos o equipamento viável, pois o sistema dura mais de 20 anos com a primeira manutenção programada para daqui a quatro anos. O retorno financeiro começa a partir de 16 anos da aplicação do sistema na substituição da iluminação pública convencional. O Brasil todo possui um potencial enorme para o emprego da energia fotovoltaica, que é superior até mesmo aos países líderes nesta área, como por exemplo a Alemanha’’.
(Diário do Pará)
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