plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Início de 2015 terá cenário amargo na economia

Mais do que nunca, 2015 vai exigir do poder público a implantação de políticas de desenvolvimento, incentivo à produção e ao consumo para manter os níveis de emprego e renda. É que o cenário nacional e internacional aponta para baixo crescimento, tornando

twitter Google News

Mais do que nunca, 2015 vai exigir do poder público a implantação de políticas de desenvolvimento, incentivo à produção e ao consumo para manter os níveis de emprego e renda. É que o cenário nacional e internacional aponta para baixo crescimento, tornando cada vez mais necessária a melhoria da aplicação dos recursos públicos. Nesse contexto, o setor privado também terá papel crucial, compondo estratégias para melhorar a qualidade da mão de obra. Essa é a avaliação do economista e cientista político da Universidade Federal do Pará, Roberto Corrêa. Apesar do aparente pessimismo, o professor e pesquisador avalia, contudo, que o segundo semestre já será de novo ânimo. Nesta conversa com o DIÁRIO, ele detalha análises para o Brasil e o Pará e avalia como o cenário econômico poderá interferir na política. Confira:

P: Todas as previsões dizem que 2015 será um ano difícil na economia. Na sua opinião, como isso vai interferir no ânimo dos brasileiros e de que forma pode levar a pressões contra presidente Dilma Rousseff?

R: Ao tomar informações a respeito do comportamento de outros empresários, o mundo empresarial tende a se tornar recuado no sentido de investimento. Sem investimento, não há como gerar emprego, sem emprego, não há como gerar renda. Hoje, a economia é globalizada, as cadeias de integração fazem com que a melhoria da economia americana acabe por melhorar a economia da Europa, da China e de outros países.

P: Como é possível quebrar esse ciclo de redução de investimento e emprego?

R: O grande maestro chama-se Estado. É ele, como agente de representação, tanto de empresariado, quanto povo em geral, que deve desenvolver a estratégia de desenvolvimento.

P: O senhor consegue ver no governo Dilma uma estratégia de desenvolvimento clara?

R: Eu concordo com aqueles que dizem que não se trata de um novo governo, mas de uma nova Dilma. Ela será obrigada a fazer coisas, com as quais, a princípio não concordaria. Será obrigada a tomar medidas antipáticas, como reduzir o custo da máquina.

P: O novo ministro da Fazenda anunciou medidas que foram chamadas de “pacote de maldades”...

R: Toda a política tributária diz respeito à revisão dos tributos e taxas. E a fiscal diz respeito ao equilíbrio das despesas e das receitas. As receitas dependem do dinamismo da economia e a economia não vai crescer. Por isso, o governo tem que preparar esse concerto, não no sentido apenas de consertar, mas também de ser maestro para influenciar os ministérios, os governadores, os prefeitos a uma reeducação tributária e fiscal. Vamos torcer para que 2015 seja esse ano de ajustes e que de 2016 em diante, a gente volte a crescer. Acho que no segundo semestre deste ano já teremos uma aceleração do crescimento.

P: O senhor não acha que a classe média está muito sufocada com tarifas e reajuste de impostos?

R: Que classe média? Aqueles que ganham acima de dez salários mínimos deverão ser onerados com a política. Um lar de classe média não gasta tanto de energia elétrica, quanto uma família que tem ar condicionado em cada quarto, televisão em cada quarto...

P: O governo federal incentivou o consumo, a classe média baixa comprou eletrodomésticos, e agora vem um tarifaço de energia. Não é uma maldade?

R: É o inevitável. A maldade nessa área é inevitável. Como é que vai poder manter as tarifas acessíveis a essa categoria social? Não vai ter outra alternativa, vai ter que economizar, vai ter que dizer: ‘Meu filho, em vez de ligar duas televisões, vamos ligar uma’.

P: Então este é um ano para apertar o cinto?

R: É. Não dá para continuar sacrificando a economia, para criar voto. Devemos agradecer muito o fato de o preço do petróleo ter caído. Muitos, com preguiça de pensar, dizem logo que isso vai acabar com o pré-sal. Mentira. O ponto de equilíbrio do pré-sal é 45 dólares o barril. Com esse preço de 50, 60 dólares, se ajuda muito a classe média para que não seja ainda mais penalizada, principalmente na compra de combustível.

P: O senhor acha que essa questão econômica pode gerar protestos, a exemplo do que a gente teve em 2013?

R: Não acredito que isso ocorra em razão direta da economia. Se houver protestos é mais em razão da infraestrutura, pela falta de uma política de transporte, por exemplo. Como é que eu, como estudante, vou aceitar que sair de casa às seis horas da manhã e chegar na minha universidade às dez horas, porque eu enfrento congestionamento, pagando caro e etc? Eu vou pra rua protestar!

P: O senhor acha que a presidente Dilma corre o risco de enfrentar esses protestos em 2015?

R: Eu não diria que isso é um risco. Se acontecer, ela vai ter que aceitar isso como um ingrediente normal da democracia. A democracia é eu poder fazer o meu protesto também. Eu tenho o direito de escolher a forma de fazê-lo, desde que não viole a lei.

P: O senhor acha que 2015 também vai ser um ano de greves?

R: A história, a experiência internacional, mostram que quando há recessão, a greve recua. Quando vem a retomada, aí sim, a greve vem, e a luta é para dividir excedente. ‘Eu quero aumentar meu salário’. Na recessão, eu aceito qualquer salário para levar alguma coisa para dentro de casa. Na retomada eu brigo, eu passo a ter valor, a mão de obra passa a ser escassa, aí eu faço a greve para aumentar salário. Não acredito em greve no setor privado. Já o setor público tem uma outra lógica, e é possível que haja greves.

P: Então a gente está sendo totalmente pessimista aqui, ou o senhor acha que tem motivos para algum otimismo?

R: Estou sendo Calculista. Estou fazendo cálculos, previsões baseadas no passado. Se esse passado, de repente muda na cadeia internacional, essa contaminação em rede passa a ser positiva e o país voltará a crescer.

P: Como é que os empresários, os trabalhadores de um modo geral, podem contribuir para melhorar esse cenário?

R: Um das necessidades é preparar o capital humano, ou seja, mão de obra moderna. Isso exige uma política educacional para preparar as pessoas para os novos desafios de um mercado, que a qualquer instante pode estar chamando a mão de obra, e a mão de obra tem que estar preparada para atender, se não a mão de obra terá que ser importada.
Nós temos aqui no Pará um problema que não acaba. Durante a fase do canteiro de obras, empregam-se as pessoas que estavam tradicionalmente na pesca ou na agricultura, na pecuária... Aí de repente, quando a obra acaba, o complexo produtivo entra em ação e a empresa importa gente de outros estados, porque não tem gente preparada para assumir.

P: Como o senhor está avaliando os primeiros dias do governo Jatene? O que o senhor acha que a gente pode esperar desse segundo mandato, que na verdade é um terceiro?

R: Ele enfrenta o problema que os tucanos sempre enfrentaram: os conflitos do que eu chamo de “Jardim Secreto Tucano”, que levam a que um venha atacar o outro e etc. O Jatene tem habilidade, mas não tem paciência. Então, com muita gente indo cobrar dele em uma Assembleia Legislativa altamente fragmentada, é difícil governar sem o apoio de um partido que tenha condições digamos de lhe dar garantias de previsibilidade das ocorrências legislativas.

P: O senhor acha que ele deveria tentar compor uma base mais sólida?

R: Uma base mais sólida, onde o PMDB aparece sempre como fiel da balança em nível estadual. Agora se isso vai acontecer, é difícil prever, porque o PMDB hoje está aliado ao PT em nível nacional. Então é muito difícil que isso ocorra, a não ser que seja um acordo muito local.

P: E do ponto de vista econômico, o que a gente tem visto aí é que o Estado está com problemas de caixa...

R: A China reduziu nossas importações. Nós temos como principal produto da nossa balança comercial, os minérios. O segundo é a carne bovina. Temos o maior rebanho de búfalos do Brasil, e provavelmente, o terceiro ou quarto rebanho bovino, e um rebanho de excelente qualidade. Além disso temos outros produtos da pauta como madeira, bauxita. Tudo isso se incorpora, digamos assim, no crescimento econômico, mas com essa crise que nós vemos em nível internacional essas coisas passam a ser relativizadas no Brasil.

P: A gente viu que o orçamento do Estado tem menos de 10% para investimento. Como o senhor avalia esse percentual?

R: Muito preocupante. Muito preocupante, porque para ter desenvolvimento, o Estado precisa de uma infraestrutura modernizada. Nós temos aquela ponte no Moju [que caiu em março do ano passado]... aquilo não tem explicação. Aquela ponte continua quebrada e a economia pagando muito mais caro para desafogar a produção.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!