A verdadeira cultura religiosa islâmica é contra atos terroristas e defende a paz. O presidente do Centro Islâmico Cultural do Pará, Said Mounsif, é enfático: a onda de atos violentos extremistas que tomou os noticiários ao redor do globo em nada se assemelha nem representa o verdadeiro sentido do Islã. E o atentado terrorista que chocou o mundo inteiro no último dia 7, na redação do jornal “Charlie Hebdo”, em Paris, França, também causou indignação à comunidade islâmica de aproximadamente 100 famílias que vivem em Belém.
Após a tragédia, o Centro Islâmico Cultural do Pará se pronunciou considerando o ato como uma “barbárie”, ressaltando que a atitude dos terroristas é totalmente contrária aos princípios defendidos pela religião islâmica.
“Nós do Centro Islâmico Cultural do Pará declaramos imediatamente, depois desse ato infeliz e triste, que a nossa religião islâmica é completamente contra todos os atos terroristas e estamos indignados. Aqueles que cometeram este ato são completamente contra a religião islâmica. A polícia descobriu que são bandidos. São jovens que foram presos e condenados por várias vezes e descobriram essa forma de extremismo na prisão”, lembra Mounsif.
Para Said, esse é um momento para que os muçulmanos se posicionem contra qualquer tipo de pensamento ou ato extremista, mostrando que a o islamismo é uma religião de paz, que prega o amor ao próximo. “Estamos em um momento de sofrimento de uma forma geral do povo francês e de luto das famílias que perderam seus próximos. O ato de terrorismo é rejeitado completamente e tem que ser uma luta de todos os líderes religiosos para não dar espaço ao discurso de ódio contra o outro, independente de quem seja. Esta é a realidade que toda França descobriu, que o terrorismo não tem nada a ver com o Islã. Aqueles que praticaram esses atos selvagens contra inocentes, que para nós são inocentes, não conhecem a religião islâmica”, garante.
Natural da cidade de Casablanca no Marrocos, Said Mounsif. explica que a religião islâmica se baseia no livro sagrado do Islã: o Alcorão. “A religião islâmica se inspira na revelação, que é o livro sagrado revelado ao nosso profeta Muhammad, que a paz de Deus esteja com ele, e toda tradição que o nosso profeta nos deixou. Tudo isso são mensagens claras que incitam qualquer muçulmano a se comportar com amor ao próximo. ‘Islã’ vem de uma palavra árabe que quer dizer paz. E também é derivada de submissão, mas submissão à vontade de Deus. E se é a vontade de Deus não pode ser atos que Deus proibiu, como o terrorismo”, exemplifica.
Said afirma que nada justifica a violência praticada contra pessoas inocentes, ainda que certas atitudes desagradem o povo muçulmano como a sátira feita pelo “Charlie Hebdo” sobre o profeta da religião islâmica, Muhammad.
“O muçulmano não somente deve falar isso, mas deve se comportar com dignidade neste momento de luto do povo francês, seja um muçulmano que vive no Brasil, que vive na França ou em qualquer outro lugar do mundo. O muçulmano não pode começar a justificar esses atos terroristas porque o jornal, “Charlie Hebdo”, publicou caricaturas do profeta Muhammad. Não é justificativa. Algumas pessoas mal informadas tentam colocar uma confusão na cabeça de não muçulmanos e também de muçulmanos querendo justificar este ato”, assegura.
Casada com Said e convertida à religião islâmica, a administradora de empresas Wânia Mounsif é paraense e sente orgulho de ser muçulmana. “Eu sou revertida ao Islã. Antes eu tinha uma religião, que era a cristã. É como dizer conversão o que o muçulmano chama reversão. Também sou contrária e abomino este ato que aconteceu lá em Paris. E sei que, a partir desse ato, vai acontecer algumas discriminações, principalmente à mulher que usa véu, pois é a que mais aparece. Mas isso é uma coisa momentânea. O Islã é uma religião de paz e que nós aprendemos isso e que vivemos em busca dessa paz. Mesmo sabendo que esse momento é difícil, depois será o momento em que as pessoas vão começar a descobrir o Islã, que é pouquíssimo conhecido, mesmo aqui no Brasil”.
Wânia Mounsif ressalta: “Cabe a nós muçulmanos mostrar que não somos terroristas, que temos uma religião de paz e que busca o amor ao próximo. Em todas as religiões existem aqueles que são bons e aqueles que são maus. Mas isso deve ser combatido e deve ser mostrado por nós, que nós não concordamos nem aceitamos. Cabe a mim mostrar e falar da minha religião o meu amor ao próximo, aos meus filhos, a minha família, a minha família de origem que é cristã. É essa paz que nós devemos exercer e mostrar”.
De acordo com Said, o Islã é a terceira religião hebraica. Primeiro vem a judaica, segundo a cristã e em terceiro o Islã. A mensagem do Islã é de que o ser humano está na terra para adorar a Deus.
Todas as sextas-feiras, a comunidade muçulmana em Belém se reúne no Centro Islâmico Cultural do Pará para orar na mesquita, seu local de oração. O Centro Islâmico, localizado no bairro da Campina, também oferece curso da língua árabe que funciona às quintas-feiras à noite e no sábado pela manhã.
(Diário do Pará)
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