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Pará tem o trânsito mais letal do Norte

Nenhum estado da região Norte é tão inseguro quanto o Pará quando o assunto é tráfego viário. De acordo com o Retrato da Segurança Viária 2014, estudo lançado recentemente pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, só de 2009 a 2012, a taxa de óbitos

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Nenhum estado da região Norte é tão inseguro quanto o Pará quando o assunto é tráfego viário. De acordo com o Retrato da Segurança Viária 2014, estudo lançado recentemente pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, só de 2009 a 2012, a taxa de óbitos no trânsito por aqui pulou de 14,0 para 21,3 para cada cem mil habitantes - só para se ter uma ideia, no Rio de Janeiro essa mesma taxa ficou em 18,7 em 2012, enquanto que em São Paulo, o registro foi de 17,3.

Em números absolutos, ainda em comparação com os estados da Região Norte, também no ano de 2012, o Pará registrou 1.656 mortes no asfalto, algo em torno de quatro a cinco ocorrências por dia naquele ano e o 12º lugar na lista dos tráfegos mais letais do Brasil. O segundo lugar, Rondônia, teve menos da metade, 673. Além disso, o Pará ainda tem dois municípios liderando o ranking de piores cidades na região: Redenção, com 77,5 óbitos por cem mil habitantes, e Altamira com 69,4, respectivamente em primeiro e terceiro lugar.

“São números que surpreendem, sim, porque muito se discute em termos de legislação, e houve avanços nesse sentido, só que na prática as coisas funcionam diferente”, comenta a especialista em trânsito e professora da Universidade Federal do Pará, Patrícia Bittencourt. “Embora a Lei de Mobilidade Urbana priorize o pedestre, o que parece é que ainda contamos com gestores que só pensam no trânsito a partir do automóvel, que é o principal meio de locomoção da classe média alta, cujo comportamento norteia e influencia outras classes. É difícil. Em 2011, o Brasil e mais de 70 outros países do mundo inteiro assinaram um pacto de segurança no trânsito com o compromisso de, até 2021, diminuir o número de mortes no trânsito em 50%. Mas como é que se faz isso se os índices só aumentam?”, questiona.

Ainda de acordo com o levantamento, em 2012, 43% dos óbitos no trânsito tinham os pedestres como vítimas - nesse caso houve uma queda, já que eles respondiam por 60% dos envolvidos em 2001. O que aumentou, consideravelmente, foi a presença dos motociclistas nesse triste cenário: de 15% para 36% em onze anos. “O pedestre é desprovido de orientação, de uma sinalização eficaz voltada para ele. A avenida Augusto Montenegro, por exemplo, é inaceitável o número de atropelamentos fatais que ocorrem ali. E na via expressa da Almirante Barroso? Quantos já morreram? Pode até ser que exista, mas eu não vejo políticas públicas voltadas à orientação desse público. O Código Brasileiro de Trânsito obriga a presença do tema de forma transversal durante todo o período educacional fundamental e básico, mas isso não ocorre e ninguém fiscaliza”, reforça a especialista.

Citando todas as unidades da federação e seus respectivos números, o estudo sugere que, em 2030, os acidentes de trânsito devem se tornar a sétima maior causa de óbitos no mundo, matando mais do que doenças como diabetes e hipertensão - atualmente são cerca de 1,3 milhão de mortes/ano. A Organização Mundial de Saúde se baseia em cinco pilares quando o assunto é segurança viária: gestão da segurança, vias mais seguras/mobilidade, veículos mais seguros, conscientização dos usuários e resposta ao acidente. “O pior problema do trânsito não é falta de fluidez ou de vias de escoamento, é o problema das mortes. Um episódio nunca é isolado, ele pode significar a desestruturação de uma família inteira. E ainda assim o que vemos, por parte dos órgãos gestores, são poucas campanhas e muito pontuais, focadas em datas especiais somente, e que se baseiam em programações nacionais, quando o ideal seria, por exemplo, que se usasse os dados de um estudo como esse para focar nas peculiaridades de cada estado ou município, e propor soluções em cima desses índices”, orienta Patrícia.


(Diário do Pará)

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