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Chacina ocorrida há três meses é denunciada na ONU

Um grupo de Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e brasileiras denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na última terça-feira, o elevado índice de chacinas contra crianças e adolescentes.  Um morador de Belém, esteve

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Um grupo de Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e brasileiras denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na última terça-feira, o elevado índice de chacinas contra crianças e adolescentes.

Um morador de Belém, esteve na reunião e relatou a série de assassinatos ocorridos na noite do dia 4 e madrugada de 5 de novembro de 2014, em diversos bairros de Belém. A reunião de peritos e ativistas foi a portas fechadas.

Segundo dados passados às Nações Unidas, entre 1997 e 2011, o número de homicídios passou de 6,6 mil em 1997 para 8,8 mil em 2011. O aumento foi de 33%. Em 1980, o índice de mortes era de 19,6, em 1980, para cada 100 mil jovens. Em 2012, passou para 57,6. Um aumento de 194%.

Em 2003, a ONU avaliou a condição da infância no Brasil. Naquele período, o governo estava atrasado na entrega do informe. As autoridades se comprometeram em cinco anos apresentar a versão. Entretanto, poucos passos foram dados e a ONU declarou que examinaria o Brasil, mesmo sem um informe definitivo apresentado pelo governo do país. Logo depois, o país apresentou os documentos e uma análise ocorrerá em setembro, sete anos depois do previsto.

RELATO

Para apresentar a voz dos jovens brasileiros, as ONGs levaram até Genebra o paraense. “Venho de um bairro que enfrenta discriminações e sei como a juventude é reprimida”. Segundo a denúncia das ONGs, o homicídio “tem cor” no Brasil. Houve entre 2002 e 2012 uma redução nos assassinatos de jovens brancos, com queda de 32%. No caso dos negros, a tendência é inversa, com alta de 32%. Morreram proporcionalmente 168% mais de negros do que brancos em 2012.

Enquanto não há nenhuma informação sobre os responsáveis pela chacina, as famílias das vítimas nos bairros do Guamá, Jurunas, Terra Firme, Marco e Sideral continuam à espera de respostas. Ontem completou três meses dos homicídios em série. As autoridades do Estado do Pará ainda não deram nenhum retorno às famílias.

O DIÁRIO foi até a casa de familiares das vítimas para saber como estão vivendo diante da espera. A tia de uma das vítimas prefere nem ser identificada com medo de represálias. “Até agora nenhuma resposta. Eles (policiais) querem que eu vá depor, mas eu não vou. Tenho medo”, conta. A tia conta que, depois do assassinato do sobrinho, sofre de depressão e procura sempre manter a casa toda fechada.

Eduardo Felipe Chaves, 16 anos, completaria 17 anos na segunda-feira da próxima semana, se não tivesse sido morto por volta das 22h, quando saiu para acompanhar a namorada em casa, no bairro da Terra Firme. “Todos nós dissemos para ele não ir. Foi o pai, o tio, os amigos, os vizinhos. Mas ele disse que ia acompanhar a namorada, que ia pegar o filho dela de 11 meses. Depois só soubemos do que tinha acontecido”, conta a avó de Eduardo, a aposentada Maria Auxiliadora Neves.

“Ele era um menino bom. Estudava, trabalhava. Ele pagava conta pra mim. Tinha planos de entrar na faculdade, se alistar no Exército e até na Polícia Militar’’, relata a avó. No quarto do jovem, os pertences dele continuam intactos. Maria conta que até o papagaio de estimação do neto sente a falta dele. ‘’Eu pego uma foto do Eduardo, mostro pra ele e ele fala. Ele olha, sabe que é ele’’.

CPI aponta quatro milícias no Pará.

(Diário do Pará)

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