Mais uma vez, a elevação de custo da alimentação básica está comprometendo boa parte da renda mensal das famílias paraenses. Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese – Pará), no mês passado, mostra que a cesta básica sofreu reajuste de 1,02% em relação a dezembro de 2014. Segundo o Dieese, o aumento já era esperado devido aos reajustes nos combustíveis e na tarifa da energia elétrica.
O estudo revela que a cesta básica custou R$ 310,78 no primeiro mês deste ano, comprometendo quase metade da renda salarial mínima ao atingir, pelo menos, 43% do novo salário mínimo, fixado em R$ 788,00 desde o início de janeiro. O balanço nacional da cesta básica concluiu que a grande maioria das 18 capitais pesquisadas apresentaram aumentos de preços no custo da alimentação básica, com exceção de Manaus, capital do Amazonas, que apresentou uma pequena queda. Os produtos que mais contribuíram para essa elevação da cesta básica paraense foram o feijão, com a alta de 23,69%, seguido do arroz, com a alta de 1,46%, o tomate, com 0,79% de reajuste, a manteiga, com a alta de 0,64%, o pão, com o aumento de 0,62%, e, por último, a carne bovina, com a elevação de 0,55%. Contudo, alguns produtos continuaram apresentando quedas de preços, com destaque para o leite, com o recuo de 7,48%, seguido do açúcar, com a queda de 1,98%, o óleo de cozinha, que diminuiu 1,28%, e a farinha de mandioca, com o recuo de 0,48%.
CUSTO
Conforme o Dieese, o custo da cesta básica para uma família padrão paraense, composta por dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 932,34. Seguindo o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deva suprir as necessidades com a alimentação, educação, moradia, saúde, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima que o valor do salário mínimo necessário para atender todas as necessidades básicas de uma família deveria ter sido de R$ 3.118,62, em janeiro. Um valor quase quatro vezes maior que o salário mínimo oficial.
Para a dona de casa Milena Paz, 24, o único jeito de driblar os constantes reajustes na alimentação é regrar as idas ao supermercado. “Infelizmente, passou o tempo que a gente tirava um dia para ir ao supermercado fazer a compra do mês inteiro. Devido a esses aumentos, a gente vai comprando de pouco, o básico mesmo. Pesquiso sempre que venho para ver se encontro produtos mais baratos. É complicado. Diminui a quantidade, deixando o supérfluo de lado, porque comida é o básico e a gente não pode deixar de se alimentar. Da última vez que comprei para o mês todo foi em novembro passado e deu mais de R$ 500. Se fosse agora, seria bem mais”, afirma.
Na casa do vigilante José Carlos dos Reis, 38, moram quatro pessoas e, segundo ele, o custo da alimentação mensal da família está em torno de R$ 650,00. “Pesquiso os preços dentro do supermercado e a quantidade de alimentos teve que diminuir quase que pela metade. No carrinho, só entra mesmo a alimentação básica. Mesmo assim, está um pouco complicado para manter”, disse. Já a engenheira química Brasília Bernar, 51 anos, conta que prefere ir comprando aos poucos para repor os produtos que estão faltando em casa. “Venho toda semana e vou comprando o que está faltando, a não ser o material de limpeza, que compro para durar 15 dias. Algumas coisas aumentaram bastante de preço, então eu estou pesquisando produtos de outras marcas menos conhecidas e que são mais em conta, mas também de qualidade. Em casa são cinco pessoas e a gente gasta mais de mil reais por mês com o supermercado”, garante.
(Diário do Pará)
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