As placas indicando o período das obras da segunda parte do BRT (Bus Rapid Transit) na avenida Augusto Montenegro já fazem parte do cenário de quem passa por ela todos os dias, porém não há vestígio que identifique, de fato, que os trabalhos já iniciaram. Enquanto faltam operários e máquinas para intensificar a empreitada, sobram mato, lixo e água empoçada entre as muretas de proteção colocadas no canteiro central da pista pela prefeitura.
As placas afixadas nos sentidos de quem entra e sai da avenida, próximas à rua da Marinha, no bairro da Marambaia, informam que em janeiro de 2015 as obras iniciariam. Janeiro passou, ontem, quando a equipe esteve no local, era o dia 9 de fevereiro e nem sinal da tão sonhada construção, que na teoria facilitará a locomoção de milhares de pessoas que moram ao longo da Augusto Montenegro, Icoaraci e no distrito de Outeiro.
A empreitada que se trata de uma parceria entre o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal, e será administrada pela Prefeitura de Belém, terá o valor total de R$263.685.972,19, com o prazo de conclusão para junho de 2015, curiosamente a quatro meses das próximas eleições municipais.
Condutores, ciclistas e pedestres que passam pela avenida reclamam do descaso e da demora do projeto, que foi aprovado pela diretoria de mobilidade urbana do Ministério das Cidades, em março de 2012, com o objetivo de implantar o transporte com um mecanismo de integrar a Região Metropolitana de Belém (RMB), assim contemplando 40 quilômetros de vias. “A situação é muito difícil. Não temos nada aqui nesse vazio que era para os ônibus passarem. Se as obras se tornarem uma verdade, vai ser a realização de um sonho para quem mora aqui”, disse o autônomo Rinaldo Lopes.
Rinaldo vai todos os dias do bairro do Una, onde mora, para a região central de Belém de bicicleta. Ele usa o meio de transporte como forma de se livrar do trânsito e dos coletivos, mas reclama do abandono da via. “Aqui não temos uma ciclovia. Essa mureta só faz atrapalhar a nossa vida, quando era para ajudar. Estamos precisando que as obras comecem, para de fato ver o que é prometido na televisão ser cumprido. Procuro sair de casa de bicicleta, mas nem todos os dias isso é possível, pois chove e é perigoso”, lamenta.
Quem passa do elevado do Entroncamento percebe muretas quebradas, lixo e muito mato no início da avenida. Nos dias de chuva, a situação precária piora, pois há constantes alagamentos, o que dificulta ainda mais o trânsito complicado da região. “Os shoppings, lojas e condomínios chegam aqui, mas a rua nunca melhora. Precisamos da obra com urgência”, reclama a moradora do bairro do Mangueirão Renata Lima.
No acordo firmado em 2012, ficou definido que o governo do Estado ficaria responsável pelas obras do Entroncamento a Marituba, através do projeto de prolongamento da avenida João Paulo II. Por outro lado, a prefeitura executaria as obras do corredor da Augusto Montenegro a Icoaraci, estendendo até a orla com a construção do Terminal Intermodal, além do corredor da Almirante Barroso até o Ver-o-Peso.
O Diário tentou contato com a Prefeitura de Belém, mas não teve resposta.
(Diário do Pará)
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