A Assembleia Legislativa do Pará vai debater em sessão especial os impactos da construção de mais uma hidrelétrica no Rio Tocantins, em Marabá. A proposta da sessão especial foi apresentada pelo deputado João Chamon Neto, do PMDB, defendida pela bancada do partido e aprovada por unanimidade na quarta-feira.
“Não podemos tapar os olhos para os impactos socioambientais da obra. O Pará vai ficar sem vários atrativos turísticos das cidades do entorno da usina, que terão suas praias, balneários, sítios arqueológicos, comunidades ribeirinhas e até mesmo parte do centro urbano perdidos definitivamente em razão do lago da barragem”, afirmou.
O deputado também questionou o fato de Ademar Palocci, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, ter garantido o início da construção da Hidrelétrica de Marabá já em 2015, confirmando ainda, que o projeto terá duas eclusas, que deverão ser construídas desde que haja recursos aprovados para isso. “A questão das eclusas é um dos grandes absurdos. Todos nós sabemos que já existe uma resolução que determina ao ministério de Minas e Energia e ao governo federal que hidrelétrica só pode ser construída com as eclusas”.
João Chamon também criticou os prejuízos causados à navegabilidade do rio Tocantins. “Não tem lógica que se construa uma hidrelétrica e se impeça a navegabilidade do rio. Nós brigamos pelo derrocamento do Pedral do Lourenço buscando a navegabilidade do Rio Tocantins, aí de repente se constrói uma hidrelétrica que impede a navegabilidade do rio. Por que então gastar dinheiro com a derrocagem?” questionou o deputado.
RENDA
Ele destacou ainda o fato da região ser grande produtora de pescado, que é a principal fonte de renda para milhares de famílias em dezenas de municípios na bacia Araguaia/Tocantins, que terão suas atividades comprometidas. Destacou ainda que os indígenas da etnia Gavião, localizada na área a ser atingida entre Marabá e Bom Jesus do Tocantins, questionam a legalidade do projeto em terras indígenas. A sessão especial terá a participação da Eletronorte, representantes das comunidades atingidas e autoridades do setor energético.
(Diário do Pará)
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