Quem buscou a Ilha do Mosqueiro para passar o domingo de carnaval encontrou calmaria e tranquilidade. Diferente dos anos anteriores, nada de trio elétrico ou palcos montados na orla. À primeira vista, o movimento um pouco acima do normal lembrou os primeiros dias das férias de julho, quando a agitação ainda é quase imperceptível - para a tristeza dos comerciantes. No entanto, no início da tarde, o intenso movimento de carros na entrada de Mosqueiro sinalizava que o cenário para os próximos dias de folia pode ser diferente.
A bombeira civil Jéssica Freitas acompanhava a mãe, que há 26 anos mantém uma barraca na praia do Chapéu Virado, na angustiante expectativa de pouco lucro para o período. “Ela está preocupada. Comprou peixe à beça, 40 grades de cerveja, e pelo visto, vai sobrar, o movimento está muito fraco. Quem é que vai vir também, né, se a Prefeitura não faz uma programação, um atrativo, nada? Pelo celular, uma amiga me disse que Vigia está ‘bombando’, um monte de coisa bacana rolando, e aqui não tem nada. Para piorar, a bandidagem está fazendo a festa, ontem foram três assaltos aqui na orla durante o dia, e não tinha um policial, a maioria fica toda para a vila”, relatou. “Tomara que as coisas melhorem até quarta, estamos na torcida. Nunca vi um carnaval tão desanimado aqui em Mosqueiro”, lamentou.
Ali perto, a auxiliar administrativa Kaline Pereira curtia a calmaria com a família. “Realmente aqui já foi mais animado, mas para nós, está bom, não queríamos agitação”, explicou ela, que apenas passaria o dia na Ilha e voltaria para Belém ainda ontem. “Pois eu já gostaria que fosse um pouco mais animado, estou sentindo falta de trio elétrico passando com o pessoal atrás. Agora quem está fazendo programação são as próprias barracas, e é só o que tem mesmo, faltou a Prefeitura fazer algo nesse sentido para atrair o pessoal, como era nos outros anos”, comentou a dona de casa Regina Barbosa, que tem casa no balneário há mais de 20 anos, e acompanhava Kaline e familiares.
A família do aposentado Otávio Marques encarou uma pequena odisseia para chegar à praia ainda no sábado, 14, em meio a um engarrafamento de mais de duas horas em Marituba, Região Metropolitana de Belém e município que antecede a entrada de Mosqueiro. “Mas está valendo, estou gostando da tranquilidade, não está chovendo, vim mesmo para descansar, aproveitar a praia, o vento, e no máximo dar um passeio pela vila à noite”, explicou.
(Diário do Pará)
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