Em meio à crise nos reservatórios de água na região sudeste do Brasil, a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) se mantém omissa aos vazamentos nas tubulações da capital paraense. Há 15 dias, a reportagem do DIÁRIO esteve na nova ponte do canal São Joaquim, no bairro do Barreiro, em Belém, para denunciar um cano quebrado que vem desperdiçando água potável diariamente. A pedido dos moradores, ontem, voltamos ao local e a situação permanece a mesma.
Com a tubulação quebrada, os prejuízos recaem sobre a comunidade, que por dias fica sem nenhuma gota de água em suas torneiras. Para amenizar o caos, os populares se reúnem, entram no canal, e por conta própria tentam consertar os estragos, porém, como se trata de um trabalho amador, o cano não fica totalmente restabelecido e volta a quebrar.
Há cinco anos, o vendedor ambulante Mário Antônio mora no local. Ele diz que por diversas vezes já ligou para Companhia de Saneamento, e eles nunca aparecem para resolver a vazamento. “Acho que toda rua já ligou para a Cosanpa, e nunca eles vêm aqui. Parece que nós não somos gente e não temos o direito de reclamar. Dias e dias essa água fica assim, enquanto isso, nas nossas casas, nem um pingo de água na torneira”, desabafou.
Além do desperdício de água, moradores denunciam o lixo e mato que tomam conta do canal. Foto: Alzyr Quaresma/Diário do Pará
Sem abastecimento, a dona de casa Rosa Lajes, de 42 anos, fica impossibilitada de fazer suas atividades de casa completas. “Sempre fica algo para se fazer. Sem água não podemos lavar louça, fazer comida, lavar roupa. Não se faz nada dentro de uma casa. Para tomar banho, temos que ir para o quintal, pois é o único lugar que na torneira tem um pouco de água. Estamos totalmente prejudicados. A Cosanpa vem aqui só para cobrar, medir os relógios e na hora de ajeitar esse cano, ninguém aparece. Estamos cansados desse abuso”, relatou.
Na última segunda-feira, 16, um grupo de moradores se reuniu para tentar amenizar o caos. Eles amarraram uns fios na tubulação, mas ainda há o que se fazer. “O pessoal entrou na vala, amarrou umas cordas, colocou uns pedaços de madeira para sustentar a tubulação, só que ainda está vazando. Aqui, o povo faz o que pode”, disse Rosa Lajes.
Além do abastecimento interrompido, os moradores também reclamam do excesso de lixo e mato que estam no canal. “De tudo um pouco pode encontrar aqui nessa vala, além de atrair muito rato, esse mato chama mosquito, mosca e até cobra. Pouco os carros do lixo aparecem, e quando vêm eles pegam apenas os sacos e deixam o resto. Os carroceiros jogam entulho, material de construção e até animal morto”, ressalta Mário Antônio.
A Cosanpa informou, através de nota, que havia um vazamento na tubulação do canal São Joaquim e foi feito um reparo parcial. Nesta quinta-feira (19), uma equipe esteve no local para colocar os andaimes. Segundo a nota, o serviço irá recomeçar na segunda-feira (23).
(Diário do Pará)
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