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Pacientes esperam por atendimento em garagem

Superlotação; falta de medicamentos, de materiais básicos e de macas; médicos com sobrecarga de trabalho; acomodações irregulares; demora no atendimento aos pacientes e na realização de exames. Estas são as condições em que se encontra o hospital Ophir Lo

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Superlotação; falta de medicamentos, de materiais básicos e de macas; médicos com sobrecarga de trabalho; acomodações irregulares; demora no atendimento aos pacientes e na realização de exames. Estas são as condições em que se encontra o hospital Ophir Loyola, referência em tratamento oncológico da rede de saúde pública no Pará.

Por causa dos problemas, os pacientes são obrigados a passar por humilhações, segundo avalia João Gouveia, diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). “Lá o paciente tem que entrar na fila da quimioterapia, da radioterapia e das cirurgias”, disse. “É lamentável a situação porque os pacientes com câncer necessitam de tratamentos especializados. Não podem ficar agonizando nos corredores, recebendo um tratamento indigno”, disse o médico.

SOBRECARGA

Outro agravante enfrentado pelo hospital são os afastamentos frequentes de profissionais da área de saúde. Tem médico que não quer mais trabalhar no hospital em função da sobrecarga de trabalho. Para se ter ideia da gravidade da situação, a unidade continua sendo alvo de ações ajuizadas pelo Ministério Público Estadual e por denúncias feitas pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado.

“Pacientes jogados nos corredores e até mesmo na entrada da garagem em condições precárias de tratamento são cenas comuns por aqui”, relata Maria de Freitas, de 32 anos. Há cerca de uma semana ocupando um espaço na garagem da unidade de saúde, ela acompanha e aguarda um leito para a mãe, vitima de um tumor maligno na cabeça.

“Viemos da cidade de Portel, na Ilha do Marajó pra ficarmos assim nesta situação. Nos dias em que estou aqui, já presenciei sofrimentos e mortes de doentes que passam e passavam pelo mesmo drama de minha mãe. As acomodações para o doentes são desumanas”, disse. “Vi um paciente que estava aguardando atendimento no corredor ter sua fralda geriátrica trocada por uma pessoa da família na frente de todo mundo, inclusive de pessoas que passavam pelo local”, disse.

Transferido às pressas da cidade de Quatipuru, nordeste do Estado, para o Ophir Loyola, o pescador Edvan da Silva Silva, de 32 anos, também era um dos pacientes que esperavam na garagem da unidade de saúde. Acomodado em uma maca e sofrendo com dores causadas por um tumor na virilha, ele reclamava da demora no atendimento. “Estou há mais de três dias jogado aqui sem a mínima atenção dos médicos. Até agora me deram remédios pra dor e pediram pra eu ter paciência e só”.

Na manhã da última sexta-feira (13), em pouco tempo ouvindo relatos de pacientes e acompanhantes na frente do portão de entrada da garagem do hospital, a equipe de reportagem flagrou pacientes aguardando atendimentos em cadeira de rodas, em macas improvisadas como leitos, em cadeiras comuns e até em bancos desconfortáveis. Os pacientes do hospital se queixam que, além da falta de leitos, a higiene nos banheiros é precária, assim como a demora nas transferências dos doentes por falta de ambulâncias.

Membro da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Pará, o deputado Wanderlan Quaresma, do PMDB, disse que vai apurar o caso e pedir uma reunião com a Secretaria de Estado da Saúde (Sespa) para cobrar uma solução emergencial para o Ophir Loyola.

“Vamos tentar uma solução de emergência com o objetivo de reverter essa situação junto à direção do hospital. Caso não tenhamos êxito, ai é provável que tenhamos que entrar com uma ação civil pública. Como médico, eu entendo que as pessoas que buscam atendimentos de saúde, principalmente oncológicos, não podem passar por situações dessa natureza”, disse o deputado. A reportagem tentou contato com a direção do hospital mais ninguém quis falar sobre o assunto.

(Diário do Pará)

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