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Trânsito de Belém ignora pessoas com deficiência

O DIÁRIO flagrou a realidade enfrentada por pessoas com necessidades especiais para se locomover em Belém. A situação ocorreu na travessa Lomas Vantinas com Almirante Barroso. Impossibilitado de atravessar na faixa de pedestres na pista da Almirante, devi

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O DIÁRIO flagrou a realidade enfrentada por pessoas com necessidades especiais para se locomover em Belém. A situação ocorreu na travessa Lomas Vantinas com Almirante Barroso. Impossibilitado de atravessar na faixa de pedestres na pista da Almirante, devido a calçada da via expressa ser mais alta que a pista, um cadeirante parado na esquina da Lomas espera o sinal abrir para atravessar ao outro lado. Os riscos de ocorrer um acidente são grandes, já que ao ficar verde o semáforo, os carros seguem pela pista junto com o cadeirante.

Os motoristas precisam parar e desviar para não atingi-lo. Durante toda a travessia, o cadeirante permaneceu atento à passagem dos veículos ao lado dele. Qualquer descuido poderia ser fatal. A cena é angustiante e ao mesmo tempo expõem os problemas de acessibilidade da cidade, que não se resumem em ônibus sucateados com elevadores e calçadas quebradas sinalizadas com guias para cegos.

APPD

A defensora pública e diretora de comunicação da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), Regina Barata, afirma que a via expressa do Bus Rapid Transit (BRT) é uma armadilha para os deficientes.

“O BRT não é uma obra que tenha melhorado a situação. Gastaram bilhões. Quando veio esse novo governo, não sabemos o que aconteceu, e tem essas falhas. Uma armadilha para pessoas com deficiência. Tem problema da pessoa que anda com cadeira de roda, que tem aquela parte mais alta, que fica absurdo para a pessoa passar’’.

Outro ponto destacado por Regina é o tempo dos sinais. Eles seriam curtos para quem precisa se deslocar mais lento, como pessoas que andam de muletas, cegos e idosos.

“Uma pessoa que tem dificuldade de locomoção não consegue atravessar as pistas devido o tempo. As pessoas com deficiência foram completamente excluídas. Imagina um idoso, pessoas que andam de muletas. Tem gente que arrasta o cego pra dar tempo de chegar na outra pista. Elas são atropeladas pelas próprias pessoas normais, que também andam rápido pra conseguir atravessar. Imagina pra quem tem deficiência, fica no meio da pista ou na metade esperando fechar o sinal de novo’’, detalha.

Em nota, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) diz que “o semáforo do cruzamento da Lomas Valentinas com Almirante Barroso fica aberto 63 segundos para que os pedestres atravessem a avenida Almirante Barroso, tempo considerado suficiente para que a travessia seja feita”, diz a nota.

A nota diz ainda queentre as duas pistas existe um espaço demarcado em amarelo para que o pedestre aguarde para concluir a travessia. “Sobre o desnível da pista expressa a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informa que será feita uma vistoria técnica na pista expressa, para identificar as necessidades de obras de adaptação”.

(Diário do Pará)

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