Fevereiro, o segundo mês de 2015, ainda não chegou ao fim, mas já fica claro que, nos próximos anos, os governadores eleitos e reeleitos terão enormes desafios pela frente. Como dizem que o ano só começa depois do Carnaval, o que se espera nas próximas semanas são respostas com ações governamentais para os principais gargalos de cada uma das unidades federativas. Os estados têm papel destacado em serviços fundamentais para a população, como segurança, saúde e educação. O Pará é lanterna no ranking de praticamente todos os indicativos nestas áreas.
Um levantamento feito no ano passado pela empresa de consultoria Macroplan – Prospectiva, Estratégia & Gestão, mostrou que o Pará foi o estado que mais caiu nos rankings de indicadores da última década elaborados pela Macroplan. No caso da Educação, os resultados são os piores do Brasil.
Como consequência da baixa qualidade do ensino, o Pará acaba tendo a maior taxa de distorção registrada no Ensino Médio, um total de 52,8%, cerca de 3,4 vezes maior que a de São Paulo, que é de 15,3%.
Dados divulgados pelo movimento Todos Pela Educação (TPE), mostram que os alunos das escolas públicas paraenses não conseguem absorver o aprendizado básico nas disciplinas de Matemática e Português já nas séries iniciais do aprendizado. Por exemplo: dos 82.905 alunos matriculados no 9º ano do Ensino Fundamental das redes estadual e municipais de ensino no Pará, apenas 4.249– ou 5% - conseguiram aprender Matemática. Em Português, no mesmo ano escolar, 11.460 (14%) demonstraram o aprendizado adequado.
Para os alunos do 5º ano, os resultados não são melhores: dos 129.758 alunos matriculados, 26.311 (20%) aprenderam Português e somente 14% deles (17.424) conseguiram apreender Matemática.

O levantamento feito pelo Todos Pela Educação não mensurou as demais disciplinas ensinadas nas escolas, mas, segundo especialistas da área, tudo indica que a deficiência em português e em matemática se estende também às demais disciplinas ensinadas nas escolas. “Se o aluno não domina a leitura e a compreensão de textos, ele vai ter dificuldade em entender as outras matérias também”, avalia a coordenadora-geral do TPE, Alejandra Meraz Velasco. “A conclusão é que o aprendizado simplesmente não está melhorando como o desejado”, afirma. Assim, o estudante acaba carregando falhas de aprendizado para os anos seguintes, o que estimula a evasão escolar e perpetua a qualidade insuficiente do ensino.
Os dados analisados pelo Todos Pela Educação fazem parte de um levantamento feito com base no desempenho dos alunos do 5º ano e do 9º ano do ensino fundamental no exame nacional Prova Brasil. A Prova Brasil é uma avaliação aplicada para quase todos os alunos do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental de escolas públicas.
Em uma análise por estados, o estudo identificou que Acre, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, Santa Catarina e Ceará avançaram significativamente na adequação entre série e aprendizado de matemática no 5º ano do ensino fundamental.
Em português, porém, apenas o Acre teve mais de 80% de seus municípios com bons níveis de adequação no 5º ano. Isso pode acontecer porque o Estado partiu de um patamar mais baixo e, portanto, tinha metas mais modestas na escala do Todos Pela Educação.
(Diário do Pará)
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