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Dom Alberto Taveira destaca perdão na Quaresma

Um roteiro oracional propondo uma vivência profunda da Quaresma, iniciada na Quarta-Feira de Cinzas, com o foco para a Páscoa, propostas diárias de leitura da palavra de Deus, reflexão da palavra, leituras espirituais, roteiros de práticas de piedade, com

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Um roteiro oracional propondo uma vivência profunda da Quaresma, iniciada na Quarta-Feira de Cinzas, com o foco para a Páscoa, propostas diárias de leitura da palavra de Deus, reflexão da palavra, leituras espirituais, roteiros de práticas de piedade, como a Via-Sacra, Rosário e Ladainha, e indicações para a participação litúrgica na vida da Igreja. O resultado de tudo isso está na 23ª edição do “Retiro Popular”, lançado durante este mês de fevereiro pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, e que desta vez se volta para um tema mais que delicado: a arte de perdoar.

“Perdão não é esquecimento. É a valorização daquele que falhou acima da falha cometida”, pondera o arcebispo. “Esse ano eu me senti estimulado pelo Papa Francisco e suas palavras sobre perdão e misericórdia, por isso me voltei para um estudo nesse sentido, o que resultou no livro”, justifica ele, que garante que a participação do paraense na preparação para esse período é mais do que significativa.

“Estive com o próprio papa no início do mês para assegurar que o povo paraense está rezando para ele”, afirmou. Confira a entrevista cedida ao DIÁRIO:

P: Arcebispo, a publicação desses volumes anuais é uma iniciativa sua trazida para a Arquidiocese de Belém. Qual o objetivo desse trabalho?

R: Sim, a publicação é uma iniciativa minha, é uma proposta que nós chamamos de “Retiro Popular”, e trata-se de uma experiência que eu repito anualmente desde 1992. A cada ano, um livro diferente, mas que segue o formato de um roteiro de vivência da Quaresma em preparação para o período da Páscoa. Em poucas palavras, posso dizer que o livro apresenta um roteiro para as pessoas rezarem com a Bíblia durante a Quaresma, que é a melhor fonte de oração para nós, cristãos. É uma publicação que orienta sobre como rezar, meditar e praticar a palavra de Deus. Essa é a forma com que a gente faz este chamado “Retiro Popular”. A proposta é que a pessoa tome um tempo diário, uma meia hora de oração diária da Bíblia, durante os 40 dias da Quaresma, com propostas de vivência da palavra de Deus e de participação nas atividades da igreja.

P: O senhor mencionou que trata-se de uma experiência que o senhor repete há 23 anos. O que muda de uma publicação para a outra, já que se trata de um mesmo momento, que é a Quaresma?

R: Cada ano eu escolho um tema diferente. Este ano eu me senti muito estimulado por todas as palavras do Papa Francisco sobre a misericórdia e sobre o perdão, então eu fiz durante alguns meses um estudo, um aprofundamento sobre o que é o perdão, e quis chamar de “arte do perdão”, porque nós precisamos aprender isso, a praticar essa arte do perdão. Perdoar não é esquecer, é valorização da outra pessoa mais do que a eventual falha que ela possa ter cometido - como Deus faz conosco. Ele nos dá um valor muito maior do que os nossos eventuais pecados, e eu sinto que às vezes as pessoas ficam muito endurecidas, daí a ideia da capa do livro: a ideia é essa, um coração que estava revestido de pedras, e as pedras vão sendo quebradas. Há uma desconstrução, colocando a palavra do profeta Ezequiel, de que Deus às vezes queria dar um coração de carne para nós, tirar o coração de pedra e oferecer um coração de carne. Então isso iluminou todo o trabalho que eu fiz ao preparar essa publicação.

P: E a reação dos fiéis a esse tipo de iniciativa, como se dá? Eles lhe procuram, tiram dúvidas, debatem o que o senhor escreve? Existe um momento que o senhor reserva para essa aproximação?

R: Claro, você vê, a gente prepara esse texto com esse intento e, só no ano passado chegamos a imprimir 80 mil exemplares.

P: É uma tiragem bastante significativa. Sobre o que o senhor falou no ano passado? Esperava tamanha procura?

R: Em 2014 eu falei sobre “A salvação entrou nesta casa”, a partir do evento de Zaqueu, e este ano a primeira impressão feita pela editora foi de 40 mil cópias porque, graças a Deus, a procura é muito grande não só aqui como em outros estados brasileiros, e até mesmo fora do país - como Portugal, por exemplo -, desejando este contato. E os sucessivos lançamentos que eu faço, em vários locais, como já fiz em São Paulo, aqui em Belém há algumas semanas, no dia 1º de fevereiro, no último dia 12, na Livraria Paulinas. No mais, como eu percorro diariamente as paróquias, eu verifico como as pessoas conversam sobre o tema e gente que escreve do Brasil inteiro para me contar que está fazendo o “retiro popular”, que está acompanhando a proposta do livro e que o roteiro realmente faz bem às pessoas. Só o fato da saída do livro já é um sinal muito positivo.

P: E o paraense, como está se preparando para o período da Quaresma? Ele entende o significado desse momento? O que o senhor pode dizer a partir de sua vivência aqui no Estado como arcebispo?

R: Sem dúvida alguma. Nós temos a vivência da Quaresma e temos a Campanha da Fraternidade, que foi lançada na Quarta-Feira de Cinzas, pelo Papa Francisco, e aqui nós fizemos, logo em seguida, no sábado retrasado, a abertura oficial da campanha. As pessoas realmente buscam a igreja, procuram a prática da Campanha da Fraternidade, se envolvem. É um tempo em que as paróquias observam um aumento na frequência e de vivência da palavra de Deus. A preparação para a semana da Páscoa, para a Semana Santa é muito intensa, realmente eu posso dizer que nós reconhecemos o grande valor do envolvimento do povo paraense nessa preparação.

P: Qual a sua expectativa em relação ao impacto da mensagem desse ano? O senhor mesmo falou que, no ano passado, foram 80 mil cópias, o que lhe deixou muito feliz. E para 2015, o que o senhor espera de retorno dos fiéis, ainda mais sendo este, o perdão, um tema tão delicado?

R: Eu desejo entrar no coração das pessoas. Que olhem para Jesus e aprendam a reconhecer o perdão que ele oferece e aprendam a espalhar.

P: E a preparação da Igreja Católica em Belém para a Quaresma? Já é possível adiantar um pouco da programação?

R: Todas as paróquias iniciaram oficialmente suas programações de preparação na Quarta-Feira de Cinzas, então nós temos uma sucessão de 40 dias de pregação da palavra de Deus, momentos de oração, sacramento da penitência até chegar à Semana Santa, no dia 29 de março, com o Domingo de Ramos.

P: A chegada do Papa Francisco trouxe para a Igreja Católica uma animação, uma espécie de renovação, de modo que quem estava um pouco desanimado ou afastado da Igreja parece que se renovou. Esse efeito deverá ser observado nesse período, na sua opinião?

R: Sem dúvida alguma. Eu acho que Deus ama muito a Igreja, que Ele tem sempre um papa certo para cada época, e isso se refletiu e reflete aqui também. O envolvimento do povo após a eleição e encontros que eu tive com ele, inclusive, no sábado, dia 7, em Roma, então a gente vê a ligação profunda, o amor que tem com a nossa Igreja. Nesse encontro mais recente ele me assegurava a bênção em oração e eu também garantia a amizade, o carinho do nosso povo paraense por ele, e disse que estava ali para também lhe assegurar que o povo paraense estava rezando por ele.

P: O senhor deixaria uma mensagem aos paraenses, uma fala, uma palavra que eles possam tomar como norte para esse período da Quaresma?

R: Nós desejamos que, o “retiro popular” plante em cada um um pouco da sabedoria sobre essa arte do perdão e da misericórdia uns com os outros, porque nosso mundo está precisando. Eu penso que a dificuldade esse sentido significa uma falta de abertura para Deus, quando voltamos o olhar para Deus, nós aprendemos a perdoar.

(Diário do Pará)

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