Sem assistência adequada, o idoso Sebastião do Nascimento Bernardes, 65 anos, luta pela vida, na enfermaria do PSM da 14 de Março, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) na manhã de sábado (21). Revoltado, o genro de Sebastião relata os momentos de desespero em busca de atendimento. “Ele sofreu um AVC por volta das 9 horas, o levamos para o Hospital Aberlado Santos, em Icoaraci, mas o trouxeram para o PSM. Ficamos pelejando em busca de atendimento, e somente às 17h conseguimos uma maca na enfermaria”, disse. “Ele está com o lado esquerdo do corpo completamente paralisado, e até agora não fizeram nenhum exame, nada”, desabafou.
Retirado a força do PSM, Márcio André, filho do idoso internado, reclama da falta de respeito com o seu pai e demais pacientes que sofrem com o caos na saúde. “O corredor está lotado, não tem espaço pra mais ninguém. Ontem à noite, na enfermaria em que meu pai está, testemunhei a morte de uma mulher por falta de atendimento adequado. Meu pai está sozinho lá dentro, fui expulso pelos seguranças. Estamos desesperados, preciso que ele seja transferido com urgência, senão ele morre”, declarou.
Além de adultos e idosos, crianças também sofrem nas filas de emergência. A tia de uma criança de apenas seis anos, denunciou para o DIÁRIO o sofrimento em busca de atendimento para a cirurgia de emergência para a sobrinha que está com apendicite aguda perfurada, e que, segundo a família, não tinha médico para fazer o procedimento. “Demos entrada 3h30 da madrugada de domingo, e não tinha médico para atendê-la. Disseram que ele (médico) iria aparecer pela manhã, mas até agora nada. Ela está na maca, somente recebendo medicamento para aliviar a dor”, relatou a tia, que preferiu não ser identificada.
Pacientes de outros bairros de Belém também denunciam a falta constante de médicos nos postos de saúde. Com o filho há dias em busca de atendimento no posto da Sacramenta, para aliviar o problema de coluna, Luiz Carlos afirma que dificilmente consegue assistência de médico devido as constantes ausências de profissionais. “Esta já é quarta vez que vamos ao posto, mas nunca tem médico. Hoje de manhã não tinha médico, segundo informações de algumas pessoas que trabalham no posto, o médico que estava escalado para trabalhar no domingo disse que só iria à noite”, disse. “Pretendo ir ao ministério público denunciar esta situação, não aguentamos mais isso”, afirmou.
A reportagem tentou contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), mas não teve retorno.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar