O caso de uma recém-nascida que nasceu “grávida” de gêmeos, chamou a atenção de muitos internautas. A sua história divulgada na revista científica "Hong Kong Medical Journal”. O caso chamado Fetus in fetu é raro e têm cerca de 200 casos registrados no mundo, de acordo com o site UOL.
Em entrevista ao DOL, o presidente da Associação Paraense de Ginecologia e Obstetrícia do Pará, Ricardo Quintairos, que é ginecologista e obstetra especialista em Reprodução Humana, explica que casos como esse não podem ser considerados como gravidez. “Não está correto dizer que a bebê nasceu grávida, pois não houve fertilização. O que ocorreu foi um caso de gêmeos coligados, ou seja, processo semelhante ao que ocorre com gêmeos siameses, que são gêmeos unidos por alguma parte do corpo. Não houve qualquer forma de fertilização, fecundação, ovulação ou algo assim para falar em gestação. Houve uma gestação gemelar monozigótica (apenas um óvulo) que na segmentação (divisão para formação de gemelar proveniente de apenas um embrião), ocorreu um erro na divisão embrionária, onde um feto engloba (o outro embrião fica dentro) ou fixa por parte( o outro embrião fica fora) causando fetus in feto interno ou externo”, explica. Ele completa dizendo que a bebê nasceu coligada a outro feto, isso poderia ter sido internamente ou mesmo externamente esta união.
(Foto: Divulgação/Hkmj.org)
Diferente do que foi dito no site UOL, que era impossível detectar esta condição no ultrassom durante a gravidez, Quintairos diz que isso é possível sim. “Sim é possível na grande maioria dos casos. No caso de não ser diagnosticada antes do parto, uma ultra-sonografia ou ressonância magnética abdominal poderá fazer o diagnóstico”, explica.
Quintairos informa que existem casos de Fetus in fetu no Brasil, porém desconhece registros no estado do Pará.
(Ana Paula Azevedo/ DOL)
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