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Ministro é recebido com protesto em Belém

O ministro da Educação, Cid Gomes, enfrentou ontem, em Belém, manifestação de servidores públicos e de estudantes que protestaram contra o corte de verbas que atingem as instituições federais de ensino. Cid Gomes pretende viajar por todo o Brasil para se

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O ministro da Educação, Cid Gomes, enfrentou ontem, em Belém, manifestação de servidores públicos e de estudantes que protestaram contra o corte de verbas que atingem as instituições federais de ensino. Cid Gomes pretende viajar por todo o Brasil para se reunir com reitores de universidades governadores e prefeitos. O Pará foi o sexto Estado visitado.

A movimentação de estudantes no prédio da reitoria no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), no bairro do Guamá, começou cedo. Com faixas e cartazes, os manifestantes acusaram o ministro de mentir sobre os cortes e pediram a suspensão das medidas de contingência.

Pouco depois das 10h, o ministro chegou ao local, sorriu para os estudantes e decidiu recebê-los. O encontro durou quase duas horas e meia e teve vários momentos de tensão.

Em uma carta aberta, os estudantes da UFPA ligados a partidos de esquerda acusaram o governo de fazer aliança com oligarquias, entre as quais os Gomes do Ceará. Sem esconder a irritação, o ministro disse que é filho de classe média. “Meu pai era defensor público; minha mãe, professora. Estudei em escola pública e ia para a escola de ônibus”.

CORTES

Os estudantes questionaram o ministro sobre os cortes de recursos para a educação e reivindicaram mais dinheiro para a assistência estudantil, especialmente para jovens que vêm do interior estudar na capital e para mães que não têm creches e por isso acabam abandonando o curso
superior.

Cid Gomes disse que o papel da universidade não é construir creches, foi vaiado e o debate continuou em tom áspero com vários momentos de bate-boca, para irritação dos reitores que vieram do interior e esperavam para se reunir com o ministro.

Ao citar Che Guevara, Gomes ouviu de um aluno que um dos líderes da revolução cubana “estaria se revirando no túmulo”. “Por quê? Eu não posso citá-lo? Só vocês podem?”. O debate só terminou porque os estudantes decidiram se retirar do local alegando que o ministro estavam se recusando a conversar.

Os cortes no orçamento da educação para o ano de 2015 podem chegar a 33% do total, o que representa uma perda de R$ 7 bilhões. Há o temor de que, com isso, haja redução de investimentos, redução de bolsas e atrasos no pagamento de quem já recebe o benefício, o que já vem ocorrendo.

Apesar das queixas, o ministro garantiu que será possível atender à exigência do governo de cortar gastos sem afetar a qualidade do ensino no país. “O que tem de fazer nessas horas é agir com inteligência, sensibilidade, para que as áreas delicadas, como é a Saúde, a Educação, tenham menos cortes do que outras áreas, embora sejam todas importantes, e possam causar menos prejuízo à população. Eu estou com a decisão de racionalizar os gastos".

(Diário do Pará)

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