Os sindicatos dos rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba devem protocolar, ainda hoje, um pedido de audiência com o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Jeannot Jansen Filho, para cobrar medidas que garantam a segurança dos usuários e trabalhadores do transporte coletivo na Região Metropolitana.
O anúncio foi feito ontem, pelo diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belém Edilberto Ventania. O pedido será feito depois que, em dois dias, sete ônibus foram incendiados, alguns deles ainda tinham passageiros dentro, que tiveram que descer do coletivo às pressas. Esta não é a primeira vez que a categoria pede uma reunião com a Segup. Em julho do ano passado, os rodoviários sentaram com representantes da secretaria para discutir os constantes assaltos nos coletivos.
Os representantes das entidades sindicais destacam que a violência não é mais somente um problema enfrentado pela categoria. “O ofício que iremos entregar será em caráter de urgência. Precisamos de uma resposta rápida e de medidas eficientes do governo. Se eles conversaram com os presidiários e ouviram as reivindicações deles, podem ouvir a gente”, pontou Edilberto Ventânia, do Sindicato dos Rodoviários de Belém.
Ele informou que os representantes das entidades sindicais passaram o fim de semana discutindo a situação de violência na Região Metropolitana de Belém. “Volto a ressaltar que a Segurança Pública é um problema maior, que envolve a todos os cidadãos e todos querem uma resposta imediata. Não podemos esperar que o governo queira se reunir daqui a um mês”, frisou.
Ontem, as pessoas que saíram de casa e pegaram ônibus para se locomover não escondiam o medo de que a qualquer momento pudessem ser atacadas por vândalos.
MEDO
Em pé e sozinho em uma parada de ônibus na rodovia Mário Covas, o universitário Pablo Arcanjo estranhou a falta de usuários no local. “Eu entendo que é final de semana e a frota é reduzida e que também choveu. Mas geralmente essa parada é lotada. Acho que a população está com medo de sair de ônibus”, observou.
Questionado se ele também sentia medo, respondeu imediatamente que sim e acrescentou que se sentia impotente diante de tanta violência. “Eu vi os vídeos que circularam dos ônibus pegando fogo. Vi no jornal o depoimento de um dos motoristas dizendo que jogaram combustível nele também. A qualquer momento qualquer um de nós pode ser vítima desta violência”, comentou.
Para a aposentada Marília Trindade, a falta de segurança é tamanha que ela não se sente mais segura nem dentro da própria casa. “Vivo trancada. Hoje (ontem) só saí porque foi preciso. Já estou há mais de 20 minutos esperando um ônibus e não confio mais nem nas pessoas que estão na parada. Infelizmente!”, exclamou.
HISTÓRICO
Na quinta-feira, sexta-feira e sábado, sete ônibus foram incendiados, além de duas tentativas de incêndio na Região Metropolitana de Belém, em meio a uma onda de violência que tomou conta das ruas e com rebeliões em presídios. Os rodoviários de Ananindeua e Marituba chegaram a fazer uma paralisação na noite de sexta-feira para sábado, por causa da violência. A polícia ainda investiga se o ato de vandalismo tem relação com os motins nas casas penais.
(Diário do Pará)
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