A família de uma paciente da Santa Casa de Misericórdia do Pará está vivendo um grande drama no começo de 2015. Após descobrir que o filho que carregava na barriga havia morrido, a mulher está há uma semana com o feto morto dentro do corpo, esperando um aborto natural, e afirma não receber medicação corretamente e que o marido dela foi vítima de injúria racial dentro do hospital.
“Ela passou mal na semana passada, fomos a alguns hospitais, e na terça-feira (24) ela deu entrada na Santa Casa, onde um ultrassom confirmou que o bebê estava morto”, afirmou a sogra da paciente, que preferiu não se identificar. “Depois do trauma, os médicos explicaram que o recomendável era que ela expelisse o feto naturalmente, e deram um remédio para que ela fizesse isso sem correr riscos, que deveria ser tomado a cada seis horas”.
Segundo a mulher, neste momento começaram os problemas. “No sábado, ela tomou o remédio às 12h e às 18h, mas não recebeu a medicação às 00h nem às 6h de domingo. A enfermeira disse que foi porque não havia médicos no local. Achamos um absurdo. Na tarde de domingo, minha nora voltou a tomar remédio, mas de noite passamos pelo mesmo problema, com a mesma justificativa: não tinha médicos no local”.
A sogra da paciente ainda afirma que o filho dela foi insultado ao questionar a falta de atendimento. “Ele questionou como um hospital daquele não tinha nenhum médico, mas uma enfermeira o chamou de ‘ladrão’, ‘macaco’ e ‘vagabundo’, além de chamar o segurança para expulsá-lo. Registramos uma ocorrência na ouvidoria do hospital e na Polícia Civil”.
A mulher ainda explica que a principal preocupação é com a segurança da nora. “Não é falta de medicamento, mas sim a falta de profissionais. Já passei o trauma de perder um neto. Será que vou ter que esperar para perder minha nora?”
Em nota ao DOL a Santa Casa de Misericórdia do Pará informou que Luanny Figueiredo de Oliveira deu entrada no hospital no início da noite do dia 24 de fevereiro, e a equipe médica realizou o atendimento, a unidade disse ainda que a paciente fez exames, e o ultrassom atestou que o bebê estava em óbito. Luanny Oliveira segue em tratamento conforme protocolo do Sistema Único de Saúde.
O hospital esclarece ainda que o serviço é feito por uma equipe multiprofissional, de forma ininterrupta, em plantão de 24 horas, todos os dias da semana. A Santa Casa disse que vai apurar os atos de xingamento.
(DOL)
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